No Jardim América, bairro que nem sei se é de São Paulo, mas que parece ter esquina para tudo, um cidadão resolveu perturbar um morador de rua que estava quieto no seu canto, cuidando da vida e talvez conversando com Deus, que costuma ouvir mais quem não tem endereço.
Foi tirar satisfação sem saber que, na esquina, havia um velho artefato da sabedoria popular: o famoso “balão”.
Para quem não conhece, balão não é de festa, nem de São João.
É saco de papel cheio de cocô, deixado ali como armadilha urbana, dessas que a vida coloca para testar a humildade dos apressados.
O sujeito foi mexer com quem estava parado e recebeu a resposta mais direta que existe na língua portuguesa: levou merda na cabeça.
Não foi xingamento, foi argumento.
Dizem que a merd@ bateu, escorreu e virou boné.
E naquele instante, o Jardim América virou Jardim da Filosofia:
quem procura confusão, acaba coroado.
