João Pessoa, sexta-feira, 21 de agosto de 2026
A mãe das nuvens
20/08/2026

Irapuan, meu pai, obrigado!

Na Serra do Braga, corre uma lenda de que há um pássaro cujo nome não pode ser pronunciado mais de uma vez e cujo canto jamais se repetiu.

Ele só põe um ovo.

Ninguém sabe sua origem nem seu gênero. Dizem que é fêmea, macho ou aquilo que, por aquelas bandas, chamam de anjo.

Sabe-se apenas de histórias antigas, nunca comprovadas fora da fé, segundo as quais anjos apareciam do nada — ou do tudo, na contradita.

Um fato curioso dizia que, quando nascia o filhote, o PAI o criava até o dia de empurrá-lo do alto da serra, na direção do Riacho dos Patos.

Somente lhe eram permitidos dois socorros.

Na vitória da desdita, o pássaro-anjo desaparecia por muito tempo, geralmente o dobro do comum. Sua ausência marcava, na região, um longo período de estiagem. Há quem o chame, por esse efeito, de Mãe das Nuvens.

No êxito, porém, o filhote abria as asas, dava um rasante, fazia um loop e voltava apenas para beliscar os pés do pai, em despedida.

Eles se apagavam mutuamente.

Fora deles dois, todo o universo e o tempo eram comuns.

Só voltavam a se encontrar num duelo, quando o pai devolvia as beliscadas. A passagem de um deles anunciava a chegada de outro anjo, porque não viviam sem o par.

E assim seguiam, pai e filho, entre encontros e despedidas, até o dia de VOLTAR AO CÉU.

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