Contam que a fotografia nasceu como negação da imagem; daquilo que foi e se esvai.
Também ouvi a história de um amor. Um oleiro enamorou-se de uma moça. Um dia, o oleiro foi chamado para ir à guerra, e as guerras sempre fazem essas atrocidades.
No dia da partida do oleiro, a moça pede para ele ficar contra a luz. E com um carvão desenha a silhueta do amado; daquele que ali está e num instante se esvairar.
É como os crentes, que se ajoelham em frente as imagens dos santos e acreditam que o santo ouve seus rogos. Essa é a magia da fotografia: negar o que foi.
Tive bons professores nessa área. Desde Marcus Antonius, Antônio David, Xico Morais, Rizemberg Felipe, Augusto Pessoa, Olenildo Nascimento, Chico França, e tantos outros.
Não é me gabando, não. Longe de mim ser cabotino. Mas, é preciso dizer: eu tô ficando bom nisso. A arte da fotografia está em compreender a luz. Uma boa foto tem luz e sombra. A escuridão nada mais é do que a ausência de luz.
Então a pergunta é: para onde vai a escuridão quando a luz acende?
