A arte de agradar um coração “gerenciá”
09/05/2026

Na Princesa dos anos 1970, havia vereador que transformava terra seca em fazenda de cinema apenas atravessando a porta do banco. Levava escritura de pedaço improdutivo, mostrava ao gerente e saía de lá com crédito gordo, como se o chão rachado produzisse ouro, café e petróleo ao mesmo tempo. Em troca, o homem do banco recebia sua “gratificação patriótica”, sempre calculada na ponta do lápis e do silêncio.
O povo desconfiava, mas fingia acreditar, porque cidade pequena também vive da arte de assuntar sem testemunhar. Até que os comentários chegaram aos ouvidos de Gominho, vereador de discursos inflamados e frases que grudavam mais que chiclete em banco de praça.
Numa noite, depois de quatro lapadas de Jurubeba Indiano no Bar de Mirô Arruda, Gominho bateu no balcão e filosofou:
— Eu domino várias artes… menos a arte de agradar um coração gerenciá!

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Miguel Lucena
Miguel Lucena

Miguel Lucena é jornalista, advogado e poeta.