A Argentina entrou em campo achando que Cabo Verde era passeio turístico, daqueles com mar azul, vento bom e foto para postar. Saiu foi correndo, suada, descabelada e com cheiro de quem escapou de uma panela de pressão sem tampa.
Cabo Verde, pequenino no mapa e gigante na bola, olhou para Messi e companhia sem pedir licença nem autógrafo. Jogou de igual para igual, mordeu, correu, empatou, assustou e quase mandou os hermanos para casa mais cedo, com tango triste e alfajor atravessado na garganta.
A Argentina venceu por 3 a 2, na prorrogação, mas não convenceu nem a própria chuteira. Ganhou, é verdade. Mas ganhou como quem sai de um banheiro sem janela: aliviada, apressada e fedendo a susto.
Cabo Verde perdeu no placar, mas saiu maior do que entrou. A ilha virou continente.
