segunda-feira, 22 de junho de 2026
China lança o seu “Pix internacional” e abre caminho para a desdolarização global
22/06/2026 20:23
Redação ON Reprodução

A China está pronta para colocar em operação comercial o mBridge, uma plataforma de pagamentos internacionais baseada em blockchain que promete revolucionar o comércio global. O sistema permite que bancos centrais liquidem pagamentos diretamente em suas próprias moedas digitais, em tempo real, sem precisar passar pelo dólar americano.

Na prática, o mBridge funciona como uma espécie de “Pix dos Bancos Centrais”. Assim como o sistema brasileiro eliminou intermediários e barateou os custos internos, a nova plataforma chinesa corta os bancos correspondentes internacionais. O resultado? Transações que antes demoravam dias via rede SWIFT agora são resolvidas em segundos, e com a promessa de custar metade do preço.

O alvo inicial são pequenas e médias empresas que consideram o SWIFT caro e burocrático. Contudo, o impacto real é geopolítico. Hoje, quase 95% do comércio global passa pelo sistema tradicional atrelado ao dólar. Ao criar um “trilho paralelo”, a China e seus parceiros iniciam uma desdolarização incremental.

O projeto já saiu da fase de testes e processou o equivalente a US$ 69 bilhões, cerca de 470 bilhões de yuans. A robustez do bloco fundador impressiona e reúne a China continental, Hong Kong, Tailândia, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, juntando potências manufatureiras, hubs financeiros e dois dos maiores exportadores de petróleo do planeta.

O mBridge não anda sozinho. Ele funciona acoplado ao e-CNY, que é o yuan digital e já movimentou mais de US$ 2 trilhões domesticamente, e ao CIPS, o sistema de mensageria para transações convencionais em yuans. São três camadas complementares criadas para projetar a moeda chinesa no mundo.

A velocidade do projeto acendeu o alerta nos Estados Unidos. Tanto que, em 2024, o Banco de Compensações Internacionais, o BIS, deixou a gestão do projeto após pressões de Washington, preocupado com o uso da plataforma para contornar sanções econômicas, já que o sistema escapa do monitoramento americano.

O mBridge ainda não vai derrubar a hegemonia do dólar, que responde por quase 58% das reservas globais contra 4,5% do yuan, mas cria uma rota de fuga segura para o comércio de commodities e bens entre mercados emergentes. O “Pix internacional” da China deixou de ser uma promessa de laboratório e agora desafia a arquitetura financeira do Ocidente no mundo real.

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