terça-feira, 4 de agosto de 2026
Caso Hytalo entra em fase de esvaziamento: relator vota pela soltura após todo o clamor nacional
10/02/2026 11:39
Redação ON Reprodução

O caso que ganhou repercussão nacional em 2025, com direito a cobertura em horário nobre no Fantástico e forte comoção pública, começa agora a entrar numa fase menos ruidosa e mais técnica. A história envolvendo Hytalo Santos e Israel Vicente, que parecia definida no tribunal da opinião pública, passa por um momento de inflexão na Justiça: pela primeira vez, um voto no Tribunal de Justiça da Paraíba aponta de forma clara para a possibilidade de relaxamento da prisão preventiva.

Nesta terça-feira (10), a Câmara Criminal do TJPB iniciou o julgamento do habeas corpus apresentado pela defesa, mas a análise foi interrompida por um pedido de vista do desembargador Ricardo Vital de Almeida. Antes da suspensão, o relator do processo, desembargador João Benedito da Silva, apresentou voto pela substituição da prisão preventiva por medidas cautelares, o que, na prática, abre caminho para a soltura dos réus caso esse entendimento prevaleça quando o julgamento for retomado.

Ao justificar sua posição, o relator destacou que a instrução criminal já foi concluída e que a prisão preventiva não pode ser utilizada como antecipação de pena nem como resposta ao clamor social que marcou o início do caso. No voto, ele argumenta que os fundamentos que sustentaram a prisão no auge da repercussão já não se mostram suficientes neste estágio do processo.

Entre as medidas alternativas sugeridas estão a proibição de acesso às redes sociais e de produção de conteúdo digital, o impedimento de contato com as supostas vítimas, o uso de tornozeleira eletrônica e a apreensão dos passaportes. Segundo o relator, eventuais riscos, como o de fuga, podem ser controlados por mecanismos menos gravosos do que a manutenção da prisão.

Hytalo e Israel estão presos preventivamente desde agosto de 2025, quando foram detidos em São Paulo e transferidos para o Presídio do Róger, em João Pessoa. À época, a operação policial e a narrativa construída em torno do caso tiveram ampla exposição nacional, produzindo uma condenação simbólica que antecedeu qualquer decisão judicial definitiva.

Além da ação penal, os dois também respondem a processos na Justiça do Trabalho, onde são apuradas denúncias de tráfico de pessoas e submissão a condições análogas à escravidão. Esses processos seguem em curso, mas, no campo criminal, o voto do relator sinaliza que o peso das acusações já não é visto hoje com a mesma contundência que marcou os primeiros meses do caso.

Com o pedido de vista, o julgamento foi suspenso e não há data definida para a retomada. O que mudou, porém, é o ambiente: a poeira da comoção nacional baixou, o caso saiu do palco do espetáculo e entrou no terreno frio dos autos. E, nesse novo cenário, pela primeira vez, a Justiça admite formalmente que a prisão pode não ser mais o caminho inevitável.

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