A presença de veículos elétricos em João Pessoa ainda é pontual, mas já começa a provocar mudanças concretas na rotina urbana e a levantar novos debates sobre infraestrutura. Um exemplo recente foi observado no estacionamento do Shopping Pirâmide, em Tambaú, onde duas vagas exclusivas para recarga elétrica estavam ocupadas simultaneamente, situação ainda incomum na cidade.
Os pontos de abastecimento funcionam no estacionamento do shopping e pertencem à Academia Loop (clique aqui e confira o vídeo). A sinalização no local indica uso exclusivo para recarga de veículos elétricos, acompanhando um padrão que começa a surgir em áreas privadas de grande circulação.
Durante uma das recargas, a reportagem conversou com Alexandre Salazar, motorista de aplicativo e proprietário de um dos veículos. Ele relatou que a principal vantagem do carro elétrico está no custo operacional. Antes da mudança, segundo ele, o gasto mensal com combustível chegava a cerca de 3.400 reais. Com o veículo elétrico, esse valor caiu para aproximadamente 700 reais por mês.
A recarga observada foi realizada em modelo rápido, com acompanhamento por aplicativo, que informa tempo de uso, energia transferida e valor cobrado. Em poucas horas, o sistema forneceu energia suficiente para ampliar a autonomia do veículo, com custo significativamente inferior ao equivalente em combustível fóssil.
Apesar da avaliação positiva, Salazar aponta que o principal desafio agora é conseguir carregar o carro em casa. Ele informou que pretende buscar, junto à Energisa , concessionária responsável pelo fornecimento de energia em João Pessoa, as condições técnicas necessárias para instalar um carregador residencial.
Normas técnicas
Esse tipo de solicitação envolve mais do que a simples instalação de uma tomada. De acordo com normas técnicas do setor elétrico, a distribuidora tem a obrigação de garantir a disponibilidade de potência no padrão de entrada do imóvel. Carregadores residenciais mais potentes podem consumir energia equivalente a dois ou três chuveiros elétricos ligados simultaneamente por várias horas, o que exige avaliação da rede existente.
Em residências individuais, o procedimento inclui análise da carga instalada, possível adequação do padrão elétrico e instalação de circuito dedicado até a garagem, com dispositivos obrigatórios de proteção contra choques, surtos elétricos e sobrecarga.
Para motoristas como Alexandre Salazar, a experiência mostra que a mobilidade elétrica já deixou de ser uma promessa distante. A redução expressiva de custos no dia a dia contrasta com uma infraestrutura que ainda precisa avançar.
Situações ainda raras, como duas recargas simultâneas em um estacionamento de João Pessoa, funcionam como um indicativo claro de uma transformação em curso. Um movimento que não tem volta e que impõe ao poder público, às concessionárias e ao setor privado o desafio de acompanhar uma nova lógica de deslocamento urbano.