O que era para ser só mais uma entrevista política virou um dos episódios mais curiosos – e saborosos – da pré-campanha ao Senado na Paraíba. O ex-governador João Azevêdo decidiu entrar na brincadeira e respondeu do jeito mais improvável possível a uma crítica que ganhou corpo nos bastidores.
Semanas antes, a deputada Camila Toscano tinha cutucado. Disse que o povo sentia falta de um “político raiz”, daqueles que sentam no bar, comem galinha e conversam olho no olho. A fala foi interpretada como uma indireta ao estilo mais reservado de Azevêdo, sempre associado a um perfil técnico, discreto e pouco afeito ao folclore político.
Pois bem. Veio então a entrevista no programa “Ô Paraíba Boa”, um dos podcasts mais assistidos do estado. O clima era de campanha, discurso alinhado, respostas calculadas. Tudo dentro do roteiro. Até que o roteiro foi atropelado por uma travessa.
Sem aviso prévio, entrou no estúdio um prato generoso de galinha com cuscuz, daqueles que não pedem licença – só pedem apetite. Preparado no tradicional mercado da Torre, em João Pessoa, o prato virou protagonista instantâneo.
Azevêdo poderia ter rido sem graça, desconversado, empurrado para o lado. Mas não. Entrou no jogo.
Provou e, ali mesmo, diante das câmeras, incorporou o “político raiz” que lhe cobravam. Entre uma resposta e outra, a cena ganhou um tempero raro na política: espontaneidade. E, claro, uma boa dose de ironia. A crítica virou meme. O gesto virou narrativa.
Nos bastidores, a leitura é simples: ao invés de rebater a provocação com discurso, Azevêdo respondeu com atitude – e com farofa. Transformou um possível desgaste em conteúdo viral e ainda humanizou a própria imagem, algo que adversários insistem em dizer que lhe falta.
Nas redes, a repercussão misturou aplausos, risadas e aquela pitada de exagero típica da internet. Teve quem visse ali estratégia de comunicação refinada. Teve quem enxergasse apenas um bom momento de improviso. E teve quem só se concentrou no prato, porque, convenhamos, a galinha estava com uma cara difícil de ignorar.
A política paraibana, enfim, ganhou uma cena que dificilmente será esquecida nesta pré-campanha. Porque entre discursos, números e alianças, foi um prato de galinha com cuscuz que conseguiu algo raro: aproximar o político do cotidiano – ainda que por alguns minutos e algumas garfadas.
E, goste-se ou não, a mensagem ficou. Às vezes, para responder uma crítica, não é preciso dizer nada. Basta sentar e comer.
