sexta-feira, 12 de junho de 2026
Caiado vende segurança de Goiás, mas mantém aparato com 51 policiais para proteger sua família
12/06/2026 10:12
Redação ON Reprodução

O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado, escolheu a segurança pública como principal bandeira de sua campanha para 2026. Em entrevista à CBN João Pessoa, afirmou que os brasileiros ainda não conhecem os resultados obtidos por sua gestão e sugeriu que Goiás se transformou numa referência nacional no combate à criminalidade.

O discurso, porém, encontra obstáculos tanto nos números da segurança pública quanto na estrutura de proteção mantida pelo próprio ex-governador.

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que Goiás está longe de liderar os principais rankings nacionais do setor. No indicador de Mortes Violentas Intencionais por 100 mil habitantes, considerado uma das principais referências para medir a violência, o estado aparece apenas na nona posição nacional, atrás de São Paulo, Santa Catarina, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná, Roraima e Mato Grosso do Sul.

A situação ganha contornos ainda mais curiosos diante de informações reveladas pela coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo. Segundo a publicação, Caiado dispõe atualmente de uma estrutura formada por 51 policiais militares da ativa que se revezam na proteção dele e de seus familiares. Entre os integrantes da equipe estão coronéis, tenentes-coronéis, majores, capitães, tenentes, sargentos e cabos.

A folha salarial do grupo ultrapassa R$ 797 mil por mês. Considerando despesas com deslocamentos, hospedagens, diárias e gratificações, o custo para os cofres públicos pode se aproximar de R$ 1 milhão mensais.

Procurado pela coluna de Lauro Jardim, Caiado argumentou que a proteção está prevista na legislação estadual desde 2010 e afirmou que, diariamente, apenas quatro integrantes atuam diretamente em sua segurança, e não os 51 policiais citados no levantamento.

O contraste é inevitável. Enquanto tenta convencer o eleitorado de que Goiás se tornou um modelo de tranquilidade e segurança, o próprio ex-governador mantém uma das maiores estruturas de proteção estatal já reveladas entre potenciais candidatos ao Palácio do Planalto.

Um ato falho

A entrevista concedida na Paraíba também registrou um deslize político. Ao ser questionado sobre a construção de um palanque no estado — onde Lula já conta com o apoio do governador Lucas Ribeiro e Flávio Bolsonaro tem como principal aliado o senador Efraim Filho —, Caiado afirmou que a articulação caberia ao ex-senador e ex-governador Cássio Cunha Lima.

O detalhe é que o presidente do PSD na Paraíba não é Cássio, mas Pedro Cunha Lima, seu filho. O erro chamou atenção por envolver justamente o dirigente responsável pela condução política do partido no estado e reforçou a impressão de que o pré-candidato ainda conhece pouco o cenário paraibano que pretende visitar durante a campanha.

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