sexta-feira, 24 de julho de 2026
Cabedelo vira laboratório do caos e tem novo prefeito interino após escândalo
15/04/2026 11:17
Redação ON Reprodução

Cabedelo vive mais um capítulo de instabilidade que já começa a se tornar rotina — e não exceção. Nesta terça-feira, 15, o presidente da Câmara Municipal, José Pereira, assumiu interinamente a prefeitura após o afastamento do prefeito recém-eleito Edvaldo Neto, alvo de uma operação da Polícia Federal. O detalhe que escancara o tamanho da crise: a posse acontece apenas dois dias depois da eleição suplementar que deveria encerrar um ciclo de turbulência política na cidade.

Em vez de solução, o que se vê é a repetição de um roteiro que parece não ter fim. Cabedelo troca de comando como quem muda de turno, enquanto a população assiste a um verdadeiro improviso institucional. A cidade, na prática, virou um laboratório de instabilidade administrativa, onde decisões judiciais, operações policiais e disputas políticas se sobrepõem à gestão pública.

A operação que afastou Edvaldo Neto aponta para um esquema de desvio de até R$ 270 milhões, envolvendo agentes públicos, empresários e até integrantes de facção criminosa. Entre os nomes citados, aparece o de Cynthia Denize Silva Cordeiro, apontada como elo entre a estrutura da prefeitura e lideranças do crime organizado, incluindo integrantes do Comando Vermelho. A investigação também menciona relações com figuras conhecidas do submundo do tráfico, indicando um nível de infiltração que vai além da corrupção tradicional.

Como se não bastasse, o ambiente político também se contamina. O deputado estadual Walber Virgolino, derrotado na eleição suplementar, sustenta que o resultado foi influenciado por ligações entre o grupo vencedor e facções criminosas. Ele próprio, porém, teve votação expressiva em áreas dominadas por esses mesmos grupos, como o bairro Renascer, o que evidencia a complexidade — e a contradição — do cenário.

No meio desse emaranhado, José Pereira assume a prefeitura com caráter provisório, mas com um desafio gigantesco: administrar uma cidade mergulhada em desconfiança institucional, sob investigação policial e com o poder político fragmentado. Empresário e veterano na política local, ele chega ao comando sem tempo de transição e com a pressão de dar alguma estabilidade a uma gestão que sequer conseguiu começar.

A sensação é de que Cabedelo não governa — reage. E reage sempre tarde, sempre pressionada, sempre no improviso. Enquanto isso, quem paga a conta é a população, refém de uma cidade que parece brincar de fazer administração pública em meio a escândalos sucessivos.

O problema já deixou de ser apenas jurídico ou policial. É estrutural. E, até agora, sem qualquer sinal de solução.

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