A lista que o ex-presidente Jair Bolsonaro pretende divulgar com os nomes dos candidatos “abençoados” pelo bolsonarismo já começa a provocar tensão em vários estados — e a Paraíba está longe de escapar desse clima de indefinição.
No estado, o PL já consolidou metade da chapa majoritária para 2026. O senador Efraim Filho trocou o União Brasil pelo PL e assumiu de vez a condição de pré-candidato ao Governo do Estado. A primeira vaga ao Senado também está praticamente fechada com Marcelo Queiroga. O problema é justamente o restante da composição: falta o vice e falta o segundo nome ao Senado.
É aí que entra o fator Bolsonaro. Há uma expectativa crescente para saber até onde o ex-presidente vai interferir diretamente na montagem da chapa paraibana. Já houve, inclusive, um movimento do próprio Bolsonaro para convencer o deputado federal Cabo Gilberto Silva a disputar uma vaga majoritária ao lado de Queiroga. O parlamentar, porém, demonstra cautela. Aliados avaliam que ele sabe ter uma reeleição praticamente garantida para a Câmara Federal e não parece totalmente disposto a trocar uma eleição considerada segura por uma disputa mais arriscada ao Senado.
Situação nacional
A lógica nacional do PL hoje é clara: Bolsonaro quer centralizar pessoalmente as escolhas dos candidatos ao Senado porque vê nessa disputa a chance de formar uma bancada suficientemente forte para enfrentar o STF e ampliar a influência do bolsonarismo em Brasília. O problema é que essa estratégia vem produzindo conflitos internos em diversos estados.
Em São Paulo, por exemplo, a disputa virou quase uma guerra silenciosa entre grupos ligados a Tarcísio de Freitas, Eduardo Bolsonaro e o núcleo mais ideológico do bolsonarismo. O apoio a André do Prado desagradou setores que defendiam nomes mais identificados diretamente com Bolsonaro, como Ricardo Mello Araújo e Ricardo Salles.
Em Santa Catarina, a tensão envolve a disputa entre Carlos Bolsonaro, a deputada Caroline de Toni e o senador Esperidião Amin. Já no Ceará, o impasse gira em torno da tentativa de Michelle Bolsonaro de emplacar a vereadora Priscila Costa como candidata ao Senado, enfrentando resistência da direção estadual do partido.
No Mato Grosso do Sul, três nomes do próprio PL disputam duas vagas ao Senado, enquanto no Distrito Federal e em outros estados o partido também aguarda sinais diretos de Bolsonaro antes de fechar alianças.
Na prática, o que se desenha é um partido nacionalmente unificado em torno da imagem de Bolsonaro, mas regionalmente travado pela espera das decisões dele — mesmo agora, em prisão domiciliar e distante fisicamente da articulação política.
Na Paraíba, isso significa que a chapa de oposição segue apenas pela metade. E enquanto o PL espera a palavra final de Bolsonaro, cresce a pressão para definir quem ocupará os espaços restantes antes que aliados percam a paciência ou procurem outros caminhos políticos.