Ex-presidente será ouvido em dois inquéritos distintos — um envolvendo seu filho Eduardo Bolsonaro e outro em que é réu por tentativa de golpe de Estado. Risco de prisão preventiva começa a ser cogitado nos bastidores.
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem uma semana decisiva pela frente — e com dois encontros marcados com a Justiça brasileira. Na próxima quinta-feira (5), Bolsonaro presta depoimento à Polícia Federal no inquérito que investiga seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), por suposta tentativa de coação e articulação internacional contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Quatro dias depois, na segunda-feira (9), o ex-presidente tem novo compromisso, desta vez como réu em ação penal no STF por tentativa de golpe de Estado e mais quatro crimes. O depoimento foi marcado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, que também conduz as investigações contra Eduardo Bolsonaro.
As duas intimações colocam o ex-presidente novamente no centro do noticiário político e jurídico. No primeiro caso, ele será ouvido sobre transferências financeiras realizadas ao filho, que atualmente vive nos Estados Unidos e teria buscado apoio de autoridades estrangeiras para aplicar sanções contra membros do STF, numa tentativa de pressionar o Judiciário brasileiro.
O depoimento de quinta-feira será crucial para esclarecer o nível de envolvimento de Bolsonaro nas ações de Eduardo, que é acusado de coação no curso do processo, obstrução de investigação, abolição do Estado Democrático de Direito e negociação com governo estrangeiro para atos hostis contra o Brasil.
Na segunda-feira, o cenário é ainda mais sensível: Bolsonaro será ouvido como réu por tentativa de golpe, numa ação que pode abrir caminho para novas medidas restritivas, inclusive prisão preventiva, caso a autoridade judicial identifique riscos concretos à ordem pública ou à investigação.
Nos bastidores, aliados já admitem preocupação com a possibilidade de prisão. O próprio Eduardo Bolsonaro, em entrevista recente, afirmou que há uma “pressão” para que seu pai seja detido, e chegou a fazer ameaças a policiais federais que porventura participem de uma eventual operação.
Apesar de ainda não haver pedido de prisão formalizado, especialistas apontam que a relação direta entre os casos — e o fato de Bolsonaro ter declarado que financia a estadia do filho — podem justificar medidas cautelares, sobretudo se houver indícios de obstrução ou conivência com ataques às instituições.
A defesa de Bolsonaro ainda não se pronunciou sobre os depoimentos. A expectativa é de que o ex-presidente compareça à PF na quinta-feira e adote uma linha moderada no depoimento ao STF, onde, apesar de ser réu, será ouvido como declarante.
Enquanto isso, o clima de tensão política e jurídica continua aumentando — e a semana pode ser determinante para o futuro do ex-presidente.

