João Pessoa, quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Bolsonaro admite envio de R$ 2 milhões para Eduardo e depõe à PF sobre articulações contra Moraes
05/06/2025 17:39
Redação ON Reprodução

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) prestou depoimento à Polícia Federal na tarde desta quinta-feira (5) sobre o financiamento de seu filho, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), nos Estados Unidos. Bolsonaro confirmou ter enviado cerca de R$ 2 milhões para custear a permanência do filho no país.

A oitiva foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, no inquérito que apura a atuação de Eduardo junto ao governo do ex-presidente Donald Trump para pressionar por sanções contra autoridades brasileiras. Moraes é um dos alvos centrais da ofensiva.

Bolsonaro chegou à sede da PF por volta das 15h e deixou o local pouco depois das 17h. Segundo a decisão do STF, o ex-presidente precisaria esclarecer os repasses financeiros, “dada a circunstância de ser diretamente beneficiado pela conduta descrita e já haver declarado ser o responsável financeiro pela manutenção do sr. Eduardo Bolsonaro em território americano”.

O inquérito tem como pano de fundo a tentativa de Eduardo Bolsonaro de acionar a Lei Global Magnitsky — instrumento jurídico adotado pelos EUA que permite a aplicação de sanções a indivíduos acusados de violar direitos humanos, como bloqueio de bens e proibição de entrada no país. A aplicação da lei não exige decisão judicial prévia.

A medida já foi usada contra juízes e autoridades da Rússia, Turquia e Hong Kong, e Eduardo estaria articulando algo semelhante contra ministros do STF, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a própria PF. As articulações do deputado contaram com apoio de parlamentares americanos, como o senador Marco Rubio e o deputado Cory Mills, que recentemente criticaram o que chamaram de “censura no Brasil”.

Licenciado desde março, Eduardo Bolsonaro permanece nos Estados Unidos e prestará depoimento por escrito. Ele afirma estar no país para denunciar “abusos” do ministro Moraes. Já o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), autor da provocação que originou o inquérito, foi ouvido na segunda-feira (2).

Na solicitação para abertura da investigação, o procurador-geral Paulo Gonet afirmou que há indícios de tentativa de intimidação contra autoridades brasileiras. “Há um manifesto em tom intimidatório para os que atuam como agentes públicos, de investigação e de acusação, bem como para os julgadores na ação penal”, apontou.

Bolsonaro no STF

O depoimento à PF ocorre poucos dias antes de um novo embate judicial: Bolsonaro será interrogado na próxima segunda-feira (9), às 14h, no Supremo Tribunal Federal, no âmbito da ação penal que apura tentativa de golpe de Estado. Ele é um dos oito réus do chamado “núcleo duro” da trama.

Além de Bolsonaro e Eduardo, a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) também entrou na mira da Justiça. Ela teve a prisão preventiva decretada por Moraes após ser condenada a 10 anos e 8 meses por contratar o hacker Walter Delgatti para invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça, em 2023.

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