João Pessoa, quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Bolsonaristas articulam “solução Glauber Braga” para pressionar pela anistia dos atos de 8 de janeiro
19/04/2025 05:13
Redação ON Reprodução

Inspirados no episódio recente envolvendo o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), condenados e familiares de presos pelos atos criminosos de 8 de janeiro começaram a articular uma estratégia inusitada: a realização de uma greve de fome dentro do Congresso Nacional para pressionar o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a pautar o regime de urgência do projeto de lei que concede anistia aos envolvidos no suposto plano de golpe de Estado.

O movimento ganhou força depois que, na última quinta-feira (17), Hugo Motta cedeu à pressão de Glauber Braga, que estava em greve de fome há nove dias em protesto contra o processo de cassação de seu mandato. Em um gesto de conciliação, Motta prometeu não pautar, por 60 dias, a análise da decisão do Conselho de Ética que, por maioria, votou pela cassação de Glauber sob acusação de quebra de decoro. O episódio remete ao caso em que o parlamentar de esquerda foi acusado de agredir e expulsar, a chutes e xingamentos, um militante do Movimento Brasil Livre (MBL) do interior da Câmara no ano passado.

Agora, aliados de presos do 8 de janeiro avaliam que, se houve espaço para concessões a um deputado de esquerda, também deveria haver margem para atender demandas da direita. Segundo apuração da CNN, familiares de condenados e parlamentares bolsonaristas já começaram a discutir os detalhes da greve de fome como forma de mobilização dentro da própria Câmara. A proposta envolve tanto familiares quanto deputados participando conjuntamente do protesto, em uma tentativa de criar um clima de comoção pública e aumentar a pressão sobre o comando da Casa.

Um parlamentar bolsonarista, ouvido sob reserva pela CNN, admitiu que inicialmente ficou surpreso com a proposta, mas reconheceu que a reivindicação “faz todo sentido”, especialmente diante da concessão feita a Glauber Braga. “Se se faz concessão para um parlamentar de esquerda, por que não fazer para vários parlamentares de direita?”, questionou.

O projeto de lei da anistia, que tramita na Câmara, é uma das bandeiras mais sensíveis para a base bolsonarista e para familiares dos presos e condenados do 8 de janeiro. A intenção é garantir, ainda em 2025, um avanço na tramitação da proposta, usando todos os instrumentos de pressão possíveis, incluindo essa estratégia inédita de paralisação alimentar dentro do Congresso.

As articulações ainda estão em estágio inicial e nenhuma decisão foi formalizada, mas o movimento indica que a disputa política em torno da anistia deve se intensificar nas próximas semanas. E coloca Hugo Motta, recém-alçado à presidência da Câmara, diante de um novo teste de resistência logo no início de seu mandato.

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