O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), elevou – ou melhor, rebaixou – o tom das críticas políticas a um novo patamar. Em postagem feita nesta quinta-feira (15), Zema publicou nas redes sociais a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) representado como um “bebê reborn”, aquelas bonecas hiper-realistas que imitam recém-nascidos. A imagem vinha acompanhada da seguinte descrição: “Vendo bebê reborn governo Lula. Custa caro, apertou, faz caquinha, mas finge ser fofo”.
Na legenda, o governador ainda ironizou: “Alguém quer adotar esse reborn?”, e emendou críticas ao presidente, dizendo que Lula “vive no passado e pesa no bolso”.
A provocação grotesca foi compartilhada amplamente e dividiu opiniões nas redes. Para apoiadores, Zema está “dando o troco” ao PT e se posicionando com firmeza. Para críticos, a publicação é mais um episódio do rebaixamento institucional que vem marcando a política brasileira. A Secretaria de Comunicação da Presidência da República não se manifestou oficialmente até o momento.
A publicação ocorre em meio às denúncias de fraudes bilionárias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo investigações, mais de R$ 6 bilhões foram desviados por meio de descontos indevidos em aposentadorias e pensões. O escândalo levou à demissão de um ministro, mas, para Zema, isso é pouco. Ele escreveu: “Mais de R$ 6 bilhões foram desviados do INSS e só um ministro caiu? (…) Roubar aposentado é covardia. Proteger ‘companheiro’ corrupto é cumplicidade”.
O PT acionou a Justiça para que a postagem fosse retirada do ar, mas o pedido foi negado. A juíza Vanessa Trevisan, do TJDFT, considerou que, antes de qualquer decisão, é necessário que o governador apresente sua defesa. E que, em princípio, as declarações estão dentro do “jogo político”.
O preço da lacração
A publicação de Zema é mais um sintoma de uma tendência perigosa: a substituição do debate público por memes, chacotas e ataques personalizados. Num país marcado por polarização extrema, a política virou palco de um reality show de mau gosto. O debate sobre ideias e propostas foi enterrado sob uma avalanche de provocações infantis — e, muitas vezes, de baixíssimo nível.
Zema, que já foi cotado como uma figura moderada no campo da direita liberal, agora adota o mesmo tom de confrontação que consagrou figuras como Jair Bolsonaro. Mas, ao transformar o presidente da República em um boneco de deboche, o governador ajuda a empobrecer ainda mais um ambiente político já intoxicado.
A que ponto chegamos? E até onde ainda vamos descer?
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