João Pessoa, quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Bastidores do poder: Silêncio de Hugo Motta irrita bolsonaristas, mas agrada cúpula do PL
19/03/2025 07:15
Redação ON Reprodução

A ala bolsonarista do Congresso está insatisfeita com a postura do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), diante da tentativa do PT de reter o passaporte de Eduardo Bolsonaro. No final de fevereiro, às vésperas do Carnaval, petistas solicitaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) que impedisse Eduardo de deixar o país. No entanto, somente nesta terça-feira (18), o STF decidiu rejeitar o pedido, mantendo a liberdade de circulação do deputado.

Para os bolsonaristas mais radicais, Hugo Motta errou ao permanecer em silêncio quando a solicitação do PT veio à tona. Eles argumentam que, como presidente da Câmara, ele deveria ter se pronunciado imediatamente e de forma enérgica, repudiando qualquer tentativa de restringir o direito de Eduardo Bolsonaro de viajar. A ausência de uma reação forte por parte de Motta foi interpretada como omissão ou, pior, como um aceno aos setores que querem enfraquecer a família Bolsonaro.

Nos bastidores, porém, há quem veja o silêncio de Hugo Motta de outra forma. Segundo fontes próximas à cúpula do Congresso, tanto ele quanto Valdemar Costa Neto, presidente do PL, não estavam dispostos a comprar essa briga. Pelo contrário, o desfecho do caso teria sido recebido com certo alívio por ambos. Isso porque Eduardo Bolsonaro era cotado para assumir a Comissão de Relações Exteriores da Câmara, um movimento que poderia gerar tensões e desgastes internos no Legislativo.

A presença de Eduardo na presidência da comissão seria vista como um fator de instabilidade, podendo dificultar articulações políticas do PL e atrair ainda mais atritos com o governo Lula. Sem precisar intervir diretamente, Hugo Motta e Valdemar viram o imbróglio se resolver por conta própria, sem que precisassem se expor ou desagradar diretamente a base bolsonarista.

O episódio expõe uma fissura dentro do campo bolsonarista no Congresso: de um lado, os mais radicais, que cobram enfrentamento aberto contra o governo e o STF; de outro, os pragmáticos, que buscam evitar conflitos desnecessários e preservar espaços de poder. Com essa divisão, a condução política de Hugo Bota segue sob escrutínio, especialmente entre os aliados de Bolsonaro que esperavam mais combatividade do presidente da Câmara.

canal whatsapp banner

Compartilhe: