quarta-feira, 4 de março de 2026
Barraqueiros do Litoral Sul exploram turistas e moradores com preços abusivos
06/01/2026 13:30
Redação ON Divulgação

O crescimento desordenado de barracas e de aluguel de guarda-sol na Praia de Coqueirinho,no município de Conde, tem se tornado motivo de preocupação e indignação entre moradores, frequentadores e, principalmente, turistas que chegam para conhecer as belas praias do Litoral Sul paraibano.

Conhecida por sua beleza natural, falésias preservadas e mar de águas claras, Coqueirinho vem perdendo, aos poucos, o equilíbrio entre o turismo e a preservação ambiental. Um dos lugares mais bonitos do litoral sul da Paraíba, a Praia de Coqueirinho virou terra sem lei, com o aumento de barraqueiros e aluguel de guarda-sol, que ocupam a faixa de areia destinada ao banho e passeio de moradores e turistas.

A ocupação excessiva da faixa de areia, sem critérios claros ou fiscalização efetiva, transformou o que antes era um espaço livre e democrático em um território marcado pela disputa. Guarda-sóis se multiplicam, barracas avançam sobre áreas sensíveis e o acesso ao mar torna-se cada vez mais restrito para quem não deseja ou não pode pagar. O cenário gera sensação de abandono e impunidade, como se a praia estivesse entregue à própria sorte

O turista chega e é submetido a consumação mínima de até R$ 300, acrescida de taxa de 10%, guarda-sol cobrado entre R$ 70 e R$ 120, e flanelinhas impondo valores próximos de R$ 50 para permitir o simples direito de estacionar em vias públicas. Nada disso é pontual. Nada disso é isolado. Trata-se de um padrão que se repete de praia em praia, criando uma barreira econômica clara ao acesso livre ao litoral — bem público por definição constitucional.

Moradores relatam não saber a quem recorrer. Falta orientação, diálogo e, sobretudo, a presença do poder público. Órgãos responsáveis pelo ordenamento urbano e ambiental parecem ausentes, enquanto a ocupação cresce diante dos olhos de todos. O silêncio das autoridades contrasta com a angústia de quem vive da região e teme pela descaracterização definitiva de um dos cartões-postais mais emblemáticos da Paraíba.

Denúncias feitas por cidadãos na internet, em espaços de comentários dos principais portais de notícias do Estado, revelam não apenas indignação, mas também impotência. O consumidor se vê coagido: paga para evitar conflito, consome para não ser expulso, aceita a cobrança para não estragar o dia. É a normalização do abuso. É o caos.

O problema não é o trabalho dos barraqueiros em si, mas a ausência de regras justas e fiscalização que garantam convivência harmoniosa, respeito ao meio ambiente e acesso livre à praia, como determina a legislação brasileira. Sem planejamento, o turismo que deveria gerar desenvolvimento passa a ameaçar a própria identidade do lugar.

Os moradores querem respostas, soluções e ações concretas antes que seja tarde demais. Preservar a praia não é ser contra o turismo, mas assegurar que ele aconteça de forma sustentável, ordenada e respeitosa, para que as futuras gerações ainda possam reconhecer em Coqueirinho a beleza que hoje corre o risco de desaparecer.

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