Adiamento de seminário do PT expõe indefinição sobre palanque e Senado na Paraíba
03/03/2026 15:47
Redação ON Reprodução

O anúncio havia sido feito com status de evento estratégico. A presença do presidente nacional do PT, Edinho Silva, em João Pessoa, nos dias 6 e 7 de março, foi tratada como o momento em que o partido começaria a organizar publicamente o cenário eleitoral de 2026 na Paraíba. Menos de 24 horas depois, porém, o seminário foi adiado — e o gesto político acabou dizendo mais do que o próprio encontro diria.

A decisão da direção nacional foi transferir o debate para Brasília, onde haverá uma reunião interna na sexta-feira (6) para tratar especificamente da situação política paraibana e da montagem do palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado.

Oficialmente, trata-se apenas de uma mudança de agenda. Politicamente, o adiamento ocorre em meio a um quadro ainda aberto sobre alianças locais, sobretudo na disputa pelo Senado, hoje o principal ponto de tensão dentro da base lulista na Paraíba.

O movimento ocorre justamente no momento em que o PT nacional começa a consolidar, estado por estado, os nomes que terão apoio direto do presidente Lula para as eleições senatoriais de 2026.

O PT já tornou pública uma relação de pré-candidaturas consideradas prioritárias ao Senado, reunindo tanto quadros do próprio partido quanto aliados estratégicos em diferentes regiões do país.

Entre os nomes do PT, aparecem:

• Jorge Viana (AC)

• Randolfe Rodrigues (AP)

• Marcelo Ramos (AM)

• Rui Costa (BA)

• Jaques Wagner (BA)

• Helder Salomão (ES)

• Fabiano Contarato (ES)

• Vander Loubet (MT)

• Marília Campos (MG)

• Gleisi Hoffmann (PR)

• Humberto Costa (PE)

• Benedita da Silva (RJ)

• Fátima Bezerra (RN)

• Paulo Pimenta (RS)

• Rogério Carvalho (SE)

Já entre os aliados apoiados pelo PT, estão:

• Renan Calheiros (MDB-AL)

• Eduardo Braga (MDB-AM)

• Helder Barbalho (MDB-PA)

• Marcelo Castro (MDB-PI)

• Confúcio Moura (MDB-RO)

• Carlos Fávaro (PSD-MT)

• Waldez Góes (União Brasil-AP)

• João Azevêdo (PSB-PB)

• Renato Casagrande (PSB-ES)

• Manuela D’Ávila (PSol-RS)

• Acir Gurgacz (PDT-RO)

No caso da Paraíba, a inclusão do governador João Azevêdo como nome referendado nacionalmente reforça sua condição de prioridade dentro do campo lulista. A segunda vaga ao Senado, entretanto, permanece em aberto.

Nos bastidores, o debate envolve dois nomes com peso político distinto, mas inseridos na base governista: o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) e o prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos), pai do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta.

É justamente essa indefinição que transforma o adiamento do seminário em algo mais do que uma simples reorganização logística. Realizar um grande encontro partidário na Paraíba antes de haver clareza sobre quem comporá o palanque majoritário poderia expor divergências internas ainda não resolvidas em nível nacional.

A presidente estadual do PT, Cida Ramos, confirmou que a mudança partiu diretamente da Executiva Nacional. Segundo ela, a discussão sobre a conjuntura política paraibana será feita inicialmente em Brasília, antes de qualquer mobilização pública no estado.

Na prática, o PT optou por inverter a ordem dos acontecimentos: primeiro tenta fechar o desenho político em Brasília; depois, apresenta o resultado à militância local.

O cancelamento temporário do seminário, portanto, não esfria o debate eleitoral. Pelo contrário. Indica que a Paraíba entrou definitivamente no radar das negociações nacionais do lulismo — e que, antes de discursos e fotos de unidade, ainda há contas políticas a serem fechadas.

canal whatsapp banner

Compartilhe: