O anúncio havia sido feito com status de evento estratégico. A presença do presidente nacional do PT, Edinho Silva, em João Pessoa, nos dias 6 e 7 de março, foi tratada como o momento em que o partido começaria a organizar publicamente o cenário eleitoral de 2026 na Paraíba. Menos de 24 horas depois, porém, o seminário foi adiado — e o gesto político acabou dizendo mais do que o próprio encontro diria.
A decisão da direção nacional foi transferir o debate para Brasília, onde haverá uma reunião interna na sexta-feira (6) para tratar especificamente da situação política paraibana e da montagem do palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado.
Oficialmente, trata-se apenas de uma mudança de agenda. Politicamente, o adiamento ocorre em meio a um quadro ainda aberto sobre alianças locais, sobretudo na disputa pelo Senado, hoje o principal ponto de tensão dentro da base lulista na Paraíba.
O movimento ocorre justamente no momento em que o PT nacional começa a consolidar, estado por estado, os nomes que terão apoio direto do presidente Lula para as eleições senatoriais de 2026.
O PT já tornou pública uma relação de pré-candidaturas consideradas prioritárias ao Senado, reunindo tanto quadros do próprio partido quanto aliados estratégicos em diferentes regiões do país.
Entre os nomes do PT, aparecem:
• Jorge Viana (AC)
• Randolfe Rodrigues (AP)
• Marcelo Ramos (AM)
• Rui Costa (BA)
• Jaques Wagner (BA)
• Helder Salomão (ES)
• Fabiano Contarato (ES)
• Vander Loubet (MT)
• Marília Campos (MG)
• Gleisi Hoffmann (PR)
• Humberto Costa (PE)
• Benedita da Silva (RJ)
• Fátima Bezerra (RN)
• Paulo Pimenta (RS)
• Rogério Carvalho (SE)
Já entre os aliados apoiados pelo PT, estão:
• Renan Calheiros (MDB-AL)
• Eduardo Braga (MDB-AM)
• Helder Barbalho (MDB-PA)
• Marcelo Castro (MDB-PI)
• Confúcio Moura (MDB-RO)
• Carlos Fávaro (PSD-MT)
• Waldez Góes (União Brasil-AP)
• João Azevêdo (PSB-PB)
• Renato Casagrande (PSB-ES)
• Manuela D’Ávila (PSol-RS)
• Acir Gurgacz (PDT-RO)
No caso da Paraíba, a inclusão do governador João Azevêdo como nome referendado nacionalmente reforça sua condição de prioridade dentro do campo lulista. A segunda vaga ao Senado, entretanto, permanece em aberto.
Nos bastidores, o debate envolve dois nomes com peso político distinto, mas inseridos na base governista: o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) e o prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos), pai do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta.
É justamente essa indefinição que transforma o adiamento do seminário em algo mais do que uma simples reorganização logística. Realizar um grande encontro partidário na Paraíba antes de haver clareza sobre quem comporá o palanque majoritário poderia expor divergências internas ainda não resolvidas em nível nacional.
A presidente estadual do PT, Cida Ramos, confirmou que a mudança partiu diretamente da Executiva Nacional. Segundo ela, a discussão sobre a conjuntura política paraibana será feita inicialmente em Brasília, antes de qualquer mobilização pública no estado.
Na prática, o PT optou por inverter a ordem dos acontecimentos: primeiro tenta fechar o desenho político em Brasília; depois, apresenta o resultado à militância local.
O cancelamento temporário do seminário, portanto, não esfria o debate eleitoral. Pelo contrário. Indica que a Paraíba entrou definitivamente no radar das negociações nacionais do lulismo — e que, antes de discursos e fotos de unidade, ainda há contas políticas a serem fechadas.