quarta-feira, 22 de julho de 2026
Baratona chega à 56ª edição celebrando Carnaval livre, sem abadá e sem dinheiro público
03/02/2026 19:50
Redação ON Reprodução

A Baratona chega à sua quinquagésima sexta edição reafirmando uma tradição que atravessa gerações e resiste ao tempo: fazer carnaval com simplicidade, alegria e sem qualquer tipo de dependência de dinheiro público. O bloco, comandado pelo advogado e carnavalesco por vocação Marcos Pires, volta a ocupar as ruas de João Pessoa no próximo sábado, dia 7, mantendo viva uma proposta que nasceu do amor familiar pelo carnaval de rua.

A ligação com a folia vem de casa. Marcos herdou o entusiasmo carnavalesco do avô Manuel dos Anjos, ligado aos Piratas de Jaguaribe, e da mãe Creusa Pires, referência do Bloco da Melhor Idade. Da junção dessa herança afetiva com uma ideia simples surgiu a Baratona, nome que mistura bar e maratona para definir um percurso nada convencional.

A concentração dos foliões acontece a partir das 13h, em frente ao quiosque Terraço, na orla do Cabo Branco. A saída está prevista para as 16h, quando o bloco inicia o percurso pela calçadinha da beira-mar, seguindo em direção ao Largo da Gameleira. Ao longo do trajeto, a proposta simbólica permanece a mesma: percorrer 42 bares, numa alusão bem-humorada aos 42 quilômetros de uma maratona tradicional.

A Baratona segue fiel ao seu formato original. Não há abadá, camiseta oficial, estandarte, hino, diretoria ou qualquer tipo de hierarquia formal. Cada folião participa como quiser, pagando apenas o que consumir ao longo do caminho. Também não existe cobrança de taxa, venda de produtos oficiais ou patrocínio de empresas.

Outro ponto que diferencia o bloco é a ausência total de recursos públicos. A decisão, segundo Marcos Pires, sempre foi política e consciente. A ideia é mostrar que é possível fazer carnaval de rua com organização espontânea, respeito ao espaço público e sem onerar os cofres do Estado, especialmente em um país onde faltam recursos para áreas essenciais.

A trilha sonora segue a mesma receita que acompanha a Baratona desde suas primeiras edições: uma orquestra de frevo, sem aparelhagem eletrônica, conduzindo a multidão com música, leveza e clima familiar. A proposta é ocupar a calçada com felicidade, sem confusão, reunindo amigos, famílias e foliões de todas as idades.

Mais do que um bloco, a Baratona se consolidou como um manifesto carnavalesco. Ao chegar à 56ª edição, reafirma que o carnaval de rua pode ser democrático, acessível e profundamente humano, sustentado apenas pela alegria coletiva e pelo desejo simples de celebrar.

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