As novas revelações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro mostram que a influência do dono do Banco Master não se limitava ao financiamento milionário do filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória política de Jair Bolsonaro. Segundo mensagens divulgadas pelo site The Intercept Brasil, Vorcaro também atuava diretamente para controlar o que seria publicado — ou apagado — no portal de celebridades de Leo Dias.
As conversas expõem um bastidor incomum: um banqueiro investigado por fraudes financeiras discutindo linha editorial, reclamando de reportagens e cobrando a retirada de conteúdo de um dos sites de entretenimento mais acessados do país.
O episódio aconteceu em agosto de 2025, quando o Portal Leo Dias publicou uma matéria informando que Bolsonaro ganharia um filme produzido nos Estados Unidos. A divulgação irritou Vorcaro, que imediatamente procurou o empresário Thiago Miranda, sócio do portal.
“Achei muito ruim divulgar isso agora”, escreveu o banqueiro em mensagem reproduzida pelo Intercept.
Miranda respondeu dizendo que a publicação contrariava um entendimento prévio para manter o projeto em sigilo e afirmou que iria resolver a situação. Pouco depois, confirmou que pediria a exclusão do conteúdo.
A reportagem desapareceu do ar.
As mensagens ainda indicam que figuras próximas ao núcleo bolsonarista participavam das conversas, entre elas o deputado Mário Frias, apontado como produtor-executivo do longa, e o senador Flávio Bolsonaro, que teria articulado o apoio financeiro ao projeto.
O caso chama atenção porque mostra um cenário raro: o patrocinador de um filme interferindo diretamente na cobertura jornalística de um portal de entretenimento para evitar vazamentos sobre a produção.
O “Dark Horse” teve praticamente todo o orçamento financiado por recursos ligados a Vorcaro. A produtora responsável estima que o investimento já ultrapasse R$ 65 milhões. Flávio Bolsonaro admitiu publicamente que o banqueiro bancou a maior parte da obra.
A situação se torna ainda mais delicada após a revelação de que empresas ligadas ao jornalista Leo Dias receberam quase R$ 10 milhões provenientes do Banco Master, conforme relatórios do Coaf divulgados anteriormente pelo Estadão.
Na ocasião, Leo Dias afirmou que os pagamentos eram referentes a contratos publicitários relacionados ao Will Bank, empresa que integrava o conglomerado do Master.
