quinta-feira, 28 de maio de 2026
Bancada da Paraíba racha na votação do fim da jornada 6×1; veja como votou cada deputado
28/05/2026 06:59
Redação ON Reprodução

A aprovação histórica da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que determina o fim da jornada de trabalho na escala 6×1 e reduz a carga horária semanal para 40 horas redesenhou as forças políticas na Câmara dos Deputados. No centro desse turbilhão, a bancada federal da Paraíba teve um papel de protagonismo duplo: de um lado, a condução da matéria pelo presidente da Casa, o paraibano Hugo Motta (Republicanos), e, de outro, um racha ideológico explícito que culminou no voto isolado do deputado Cabo Gilberto Silva (PL) contra a medida.

Sob a batuta de Hugo Motta, a Câmara costurou um acordo de transição com o Palácio do Planalto, diluindo os impactos econômicos imediatos ao fixar uma redução escalonada da jornada — que passa para 42 horas após 60 dias da promulgação e atinge as 40 horas definitivas no prazo de um ano. A estratégia esvaziou a resistência das principais bancadas de centro e garantiu uma aprovação folgada em dois turnos antes do envio da matéria ao Senado.

Na representação paraibana, o reflexo desse acordo foi quase unânime. Ao todo, 11 dos 12 parlamentares do estado registraram voto favorável à proposta. Entre os defensores da PEC, o apoio dividiu-se entre os históricos militantes da causa — como Luiz Couto (PT), aliado de primeira hora do movimento liderado pela deputada Erika Hilton, e Ruy Carneiro (Podemos), que figurava entre os signatários iniciais do texto — e parlamentares de centro e de direita que recalcularam a rota diante do forte apelo popular da medida.

Nomes como Aguinaldo Ribeiro (PP), Mersinho Lucena (PP), Romero Rodrigues (Podemos), Damião Feliciano (União), Gervásio Maia (PSB), além de Murilo Galdino e Wilson Santiago (ambos do Republicanos), consolidaram o bloco governista e de centro na aprovação das novas regras de transição e das salvaguardas voltadas às micro e pequenas empresas. Até mesmo o cacique Wellington Roberto (PL) acabou acompanhando a flexibilização do partido e votou a favor do texto final no plenário.

A única voz dissidente na Paraíba veio do bolsonarismo raiz. Alinhado às pautas econômicas de livre mercado e às críticas do setor produtivo e do comércio, o deputado Cabo Gilberto Silva (PL) manteve sua postura de oposição intransigente ao projeto, sendo o único voto “Não” da bancada paraibana.

Com o painel consolidado e a ampla maioria garantida na Câmara, a discussão agora muda de endereço. A PEC segue para o Senado Federal, onde a articulação política recomeça e a pressão sobre os três senadores da Paraíba promete reeditar os debates que mobilizaram as redes sociais e os bastidores de Brasília nos últimos meses.

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