Avanço nas negociações de vice mostra disputa por influência em Campina Grande
26/04/2026 11:02
Redação ON Reprodução

A corrida pelo Governo da Paraíba em 2026 começa a revelar um movimento que, embora ainda não oficializado, já se desenha com força nos bastidores: a escolha dos candidatos a vice está longe de ser detalhe e pode transformar Campina Grande no principal eixo político da eleição.

Nos dois principais campos de oposição ao atual governo, o sobrenome Cunha Lima ganha protagonismo como ativo eleitoral. No entorno de Cícero Lucena, na impossibilidade de contar com Pedro Cunha Lima abriu espaço para uma alternativa dentro do próprio grupo. A indicação de Diogo Cunha Lima, empresário e irmão de Pedro, surge como solução natural para manter o peso político da família na chapa, sobretudo em Campina Grande, onde o grupo conserva forte influência.

Na mesma linha, o senador Efraim Filho também avança em uma composição que dialoga diretamente com esse capital eleitoral. A tendência é que o nome para vice saia do núcleo mais próximo do prefeito Bruno Cunha Lima, com a possível indicação da 1ª Dama Juliana Cunha Lima ganhando força nas articulações. Mais uma vez, o objetivo é evidente: consolidar presença em Campina e ampliar competitividade em um dos maiores colégios eleitorais do estado.

Se esses movimentos se confirmarem, o cenário terá uma coincidência pouco comum: duas chapas fortes apostando, ainda que de formas distintas, no mesmo grupo político como peça-chave para atrair votos e ampliar alianças.

Lucas sem pressa

Enquanto isso, o governador Lucas Ribeiro adota uma estratégia diferente. Sem pressa, ele mantém a definição em aberto e vincula a escolha a uma construção mais ampla com os partidos aliados — especialmente o PT. Há um entendimento político de que caberá ao partido do presidente Lula indicar o nome da vice, o que adiciona um componente nacional à equação local.

Em declaração recente, Lucas reforçou esse posicionamento cauteloso. Disse que a escolha ainda está em construção, não descartou a possibilidade de uma mulher na chapa e também deixou claro que o diálogo com o PT está no radar. Ao evitar cravar nomes, ele preserva margem de negociação e aguarda o momento mais adequado para fechar a composição.

O que já é possível perceber é que, antes mesmo das convenções, a disputa pelo Palácio da Redenção começa a ser moldada por movimentos silenciosos, mas estratégicos. E, nesse jogo, a vice pode deixar de ser coadjuvante para se tornar peça decisiva – com Campina Grande, mais uma vez, no centro do tabuleiro político paraibano.

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