quinta-feira, 23 de julho de 2026
 API reage após agressão a Jéssica Aquino e alerta para ataques a jornalistas
29/05/2026 19:41
Redação ON Reprodução

A nota de solidariedade divulgada pela Associação Paraibana de Imprensa (API) à repórter Jéssica Aquino, da TV Arapuan/Band Paraíba, vai muito além do apoio a uma profissional agredida durante uma transmissão ao vivo em João Pessoa. Ela chama atenção para um fenômeno preocupante: a crescente intolerância contra quem exerce o papel de informar.

O caso ocorrido esta semana não é isolado. Jéssica foi covardemente atacada enquanto fazia uma passagem ao vivo, direto do Mercado Central.. Nos últimos meses, profissionais de imprensa em diferentes partes do país foram vítimas de agressões físicas e hostilizações enquanto trabalhavam. Em Belo Horizonte, o repórter Pedro Corsini, da TV Alterosa, levou um tapa no rosto durante uma cobertura ao vivo e saiu sangrando diante das câmeras. Em Brasília, a jornalista Heloísa Villela foi interrompida e hostilizada durante uma transmissão realizada na Câmara dos Deputados, episódio que gerou manifestações de entidades nacionais da categoria.

O que antes era visto como uma atividade respeitada passou a despertar, em alguns setores da sociedade, reações de agressividade que preocupam. O jornalista, que deveria ser reconhecido como um trabalhador cumprindo sua função, muitas vezes passou a ser tratado como inimigo, intruso ou alvo fácil para quem deseja descarregar frustrações ou buscar alguns segundos de notoriedade.

Há também um componente novo. A transmissão ao vivo transformou-se em palco instantâneo. Para determinados indivíduos, invadir uma reportagem, interromper um link ou agredir um profissional diante das câmeras tornou-se uma forma de chamar atenção. É a lógica do espetáculo levada ao extremo da violência.

Nada disso, porém, diminui a gravidade do problema. Quando um repórter é impedido de trabalhar, não é apenas um profissional que sofre a agressão. O ataque alcança o direito coletivo à informação. A imprensa pode e deve ser criticada. Faz parte da democracia. O que não faz parte dela é a tentativa de silenciar jornalistas pela força.

Por isso, a nota da API acerta ao tratar o episódio como uma afronta à liberdade de imprensa. Afinal, toda vez que um microfone vira alvo, a democracia também acaba atingida. E o mais preocupante não é apenas a agressão em si, mas o fato de que ela parece estar se tornando cada vez menos rara.

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