O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema, confirmou agenda na Paraíba no próximo dia 21. Vai visitar Campina Grande, encontrar empresários em João Pessoa e falar sobre economia, desenvolvimento e eleições.
A visita, porém, inevitavelmente traz de volta uma pergunta que o próprio Zema ainda não conseguiu apagar do debate nacional: o que ele realmente pensa sobre o Nordeste?
Em 2023, ao defender uma articulação política dos estados do Sul e Sudeste, Zema usou uma comparação que gerou forte reação. Ao falar sobre distribuição de recursos públicos, afirmou que o Brasil dá atenção às “vaquinhas que produzem pouco” e deixa de lado as que “produzem muito”. Embora não tenha citado diretamente o Nordeste, a declaração foi interpretada por governadores, ministros e parlamentares como uma referência às regiões que historicamente recebem mais investimentos federais para compensar desigualdades econômicas.
No mesmo período, Zema também reclamou da influência política nordestina em temas como a reforma tributária, argumentando que Sul e Sudeste precisavam se organizar para não perder espaço nas decisões nacionais.
As reações foram imediatas. Governadores nordestinos classificaram o discurso como preconceituoso e separatista. O mineiro respondeu dizendo que suas palavras haviam sido distorcidas e que nunca teve a intenção de discriminar qualquer região do país.
Agora, quase três anos depois, Zema desembarca justamente em um dos estados do Nordeste para pedir apoio ao seu projeto presidencial.
A pergunta que fica para os paraibanos é simples: o Romeu Zema que chega à Paraíba é o mesmo que reclamava do peso político do Nordeste ou o candidato descobriu que não existe caminho para o Palácio do Planalto sem os votos nordestinos?