O caso envolvendo o Banco Master vem ganhando proporções cada vez mais graves à medida que novos episódios são revelados. O que começou como uma crise financeira de uma instituição privada passou a expor relações sensíveis entre banqueiros, autoridades públicas e figuras centrais do sistema de poder em Brasília. A cada nova informação, o quadro se torna mais constrangedor e politicamente mais difícil de contornar.
Antes mesmo das revelações mais recentes, o episódio já havia causado forte repercussão com a confirmação de que o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski prestou serviços de consultoria ao Banco Master e recebeu cerca de R$ 5 milhões. O próprio Lewandowski admitiu o contrato, o que levantou questionamentos sobre limites éticos e a promiscuidade entre o sistema financeiro e integrantes do alto escalão do Judiciário.
Agora, o caso ganha um novo e explosivo capítulo envolvendo diretamente o ministro Alexandre de Moraes. Reportagem publicada nesta terça-feira por Andrezza Matais, no Metrópoles, trouxe detalhes sobre encontros do magistrado na mansão do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, em Brasília. Segundo os relatos, Moraes esteve ao menos duas vezes na residência localizada no Lago Sul, bairro nobre da capital federal.
Em um desses encontros, ocorrido em um fim de semana do primeiro semestre de 2025, Alexandre de Moraes teria conhecido, na casa de Vorcaro, o então presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa. De acordo com testemunhas, o encontro foi articulado a pedido do próprio banqueiro, que convocou o dirigente do banco estatal sob a justificativa de que “o homem estava lá”, em referência ao ministro do Supremo.
O contexto torna o episódio ainda mais sensível. Naquele período, o Banco Master buscava no BRB uma saída para evitar o fechamento das portas. A compra da instituição chegou a ser anunciada, mas teve forte reação negativa do mercado e acabou barrada pelo Banco Central, após a identificação de inconsistências nos ativos do Master e suspeitas envolvendo operações de venda de carteiras ao próprio BRB.
Relatos apontam que esse não foi o único momento de convivência entre Moraes e Vorcaro. O ministro também teria acompanhado, na mesma mansão, o resultado da eleição presidencial dos Estados Unidos de 2024, que reconduziu Donald Trump à Casa Branca. O episódio ganha contornos simbólicos adicionais porque, posteriormente, Trump se tornaria um crítico direto de Moraes, associando seu nome à aplicação da chamada Lei Magnitsky.
Segundo as descrições, Alexandre de Moraes assistiu à apuração eleitoral em um ambiente reservado da residência, em clima de confraternização, com charutos e vinhos de alto valor, itens que fazem parte da conhecida coleção pessoal de Vorcaro.
O acúmulo desses episódios reforça a percepção de que o caso Banco Master está longe de se encerrar. Ao contrário, cada nova revelação amplia o alcance do escândalo e aprofunda o desgaste institucional. O que parecia uma crise restrita ao mercado financeiro vai se consolidando como um dos episódios mais delicados da interseção entre dinheiro, poder e instituições da República, com potencial para produzir ainda muitos outros capítulos.