Jair Bolsonaro virou réu no STF por tentativa de golpe, mas isso não significa que uma possível prisão esteja próxima. Especialistas explicam que o julgamento não é imediato. Mesmo com o processo já aberto, a estimativa é que a ação penal leve de 1 a 2 anos até uma eventual condenação, considerando os prazos para apresentação de provas, oitivas de testemunhas e defesa. Ou seja, não há chance realista de prisão em questão de semanas ou meses.
Destaque-se ainda que o novo processo não altera o prazo de inelegibilidade já em vigor, de 8 anos, imposto pelo TSE em 2023. No entanto, se Bolsonaro for condenado por tentativa de golpe — especialmente com base na Lei da Ficha Limpa —, um novo prazo de 8 anos pode ser contado a partir dessa nova condenação. Na prática, isso poderia empurrar sua inelegibilidade para além de 2030, caso o julgamento ocorra até lá.
A repercussão política é enorme, mas os efeitos jurídicos seguem um ritmo muito mais lento. E é justamente isso que muita gente nas redes não está entendendo.
O que acontece agora?
Agora que Jair Bolsonaro virou réu no STF por tentativa de golpe, começa oficialmente a fase da ação penal. O primeiro passo é a citação do réu, ou seja, ele será notificado formalmente para apresentar sua defesa prévia. Esse prazo costuma ser de 15 dias.
Depois disso, o processo entra na chamada instrução, que é a parte mais longa. Nessa fase, o STF ouvirá testemunhas de acusação e defesa, analisará provas documentais e poderá determinar novas diligências. Esse período pode levar de seis meses a dois anos, dependendo do número de testemunhas, recursos e da complexidade do caso.
Concluída a instrução, as partes apresentam as alegações finais — ou seja, acusação e defesa dizem o que entenderam do conjunto de provas e pedem condenação ou absolvição. Só então o caso vai a julgamento, com os ministros do STF analisando o mérito.
Ou seja, o processo está apenas no começo. A decisão final pode demorar, e não há prazo fixo para condenação ou eventual prisão. O ritmo depende da dinâmica interna do STF e da estratégia dos advogados. O que existe agora é o início formal de um julgamento — e não um desfecho imediato.

