O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente em prisão domiciliar após sua condenação por liderar uma tentativa de golpe de Estado, quebrou o silêncio para tentar estancar a sangria na extrema-direita. Em meio ao fogo cruzado e à indefinição sobre de qual lado estava na briga familiar entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o capitão reformado demonstrou ter sentido o golpe da divisão interna e enviou uma carta pública exigindo um cessar-fogo em prol da pré-candidatura presidencial do filho.
A carta foi divulgada e lida por Flávio Bolsonaro neste sábado (11/7) durante uma transmissão ao vivo, logo após o senador visitar o pai em seu isolamento. No documento, o ex-presidente assume o papel de bombeiro para tentar apaziguar a crise que ameaça fragmentar sua base de apoio.
“O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro”, ordenou o ex-presidente no texto, em um claro recado à ala que vinha insuflando o nome de Michelle ou alimentando a discórdia na legenda.
Ao carimbar Flávio como seu “porta-voz” oficial, Bolsonaro tenta centralizar as decisões e neutralizar os focos de rebeldia que ganharam força com o protagonismo recente de Michelle. “Meu pré-candidato, creio o seu também, meu porta-voz, no qual confio”, reforçou o ex-presidente.
Durante a transmissão, Flávio Bolsonaro não escondeu o incômodo com o fogo amigo e citou a existência de “ataques orquestrados” que visam boicotar seus planos presidenciais. Segundo o senador, o manifesto do pai serve como um freio de arrumação na militância e nos caciques do PL.
“Isso é muito importante para evitar que existam falas conflituosas ou direções diferentes que, porventura, alguém possa estar seguindo em paralelo à nossa pré-campanha”, pontuou Flávio, explicitando o esforço de cúpula para conter o racha antes que a disputa saia definitivamente do controle.
