Acenos cruzados embaralham disputa ao Senado e expõem falta de unidade na Paraíba
28/06/2026 05:55
Redação ON Reprodução

A sucessão estadual de 2026 ainda está longe do período oficial de campanha, mas os movimentos em torno das duas vagas para o Senado já revelam um cenário de alianças fluidas e difíceis de enquadrar nos blocos tradicionais de governo e oposição. Nas últimas semanas, uma sequência de fotografias e gestos políticos tem chamado atenção ao aproximar lideranças de campos distintos, alimentando especulações sobre apoios que ainda não foram oficialmente declarados.

O episódio mais recente aconteceu durante o Maior São João do Mundo, em Campina Grande. Depois de o prefeito Bruno Cunha Lima, um dos principais aliados do senador Efraim Filho na oposição, aparecer ao lado do pré-candidato ao Senado Nabor Wanderley, nome apoiado pelo grupo do governador Lucas Ribeiro, outro registro ganhou repercussão. O deputado federal Mersinho Lucena também foi fotografado ao lado de Nabor e do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, reforçando a impressão de que as articulações para o Senado caminham por trilhas diferentes das alianças para o Governo do Estado.

As imagens, isoladamente, não significam apoio eleitoral. Em grandes eventos políticos e populares, é comum que adversários dividam espaços e conversem publicamente. O que desperta atenção, porém, é a repetição desses encontros sempre em torno de um mesmo personagem e em um momento em que os grupos ainda buscam consolidar suas chapas.

O cenário reforça uma preocupação manifestada recentemente pelo ex-deputado Pedro Cunha Lima. Durante agenda em João Pessoa, ele voltou a defender que a oposição construa um projeto unificado para enfrentar o grupo que hoje ocupa o Palácio da Redenção. Segundo Pedro, a falta de convergência entre as lideranças acaba fortalecendo quem está no poder.

A avaliação não é nova. Desde a disputa de 2022, quando chegou ao segundo turno contra João Azevêdo, Pedro sustenta que uma oposição unida teria mais condições de vencer uma eleição contra quem dispõe da força política e administrativa da máquina estadual. Naquele pleito, ele ultrapassou a marca de um milhão de votos, mas atribuiu parte da derrota justamente à fragmentação do campo oposicionista.

Quatro anos depois, o discurso volta à tona em meio a um cenário que parece repetir a mesma dinâmica. Enquanto os pré-candidatos ao Governo buscam consolidar seus palanques, a disputa pelas vagas ao Senado segue produzindo sinais contraditórios, com lideranças transitando entre grupos distintos e fotografias que, embora não representem compromissos formais, acabam alimentando dúvidas sobre o desenho final das alianças para 2026.

No momento, mais do que as declarações públicas, são os gestos políticos que têm contado a história da sucessão paraibana. E, na corrida pelo Senado, eles indicam que a unidade — tanto na oposição quanto em setores da própria base governista — ainda está longe de ser uma realidade.

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