quarta-feira, 15 de abril de 2026
Walber reage à posse em Cabedelo e insiste em “atalho” rejeitado pela Lei Eleitoral
15/04/2026 18:16
Redação ON Reprodução

A crise política em Cabedelo ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (15), com a reação do deputado estadual Walber Virgolino (PL) à posse do presidente da Câmara, José Pereira (Avante), como prefeito interino do município. Segundo colocado na eleição suplementar realizada no último domingo, Walber demonstrou inconformismo com a solução institucional adotada e voltou a defender que deveria assumir diretamente o comando da prefeitura.

Em declaração pública, o parlamentar afirmou que “em Cabedelo tem que assumir o segundo colocado”, classificando o processo eleitoral como comprometido e questionando a legitimidade da sucessão. No discurso, misturou críticas políticas com acusações graves, ao insinuar vínculos entre a gestão municipal e organizações criminosas, além de atacar diretamente o grupo político ao qual pertence o prefeito interino.

A fala revela mais do que indignação: expõe uma tentativa de transformar uma tese minoritária em solução prática para um impasse jurídico complexo. Walber argumenta que novas eleições não seriam razoáveis e que a cidade não pode ser submetida a sucessivas disputas nas urnas. Na prática, tenta sustentar a ideia de que o segundo colocado herdaria automaticamente o mandato — uma interpretação que não encontra respaldo consolidado na legislação eleitoral nem na jurisprudência dos tribunais.

O ponto central dessa controvérsia foi analisado na coluna O Norte Político, que ouviu especialistas e detalhou os limites legais desse tipo de tese. O entendimento predominante é claro: a substituição direta pelo segundo colocado não é regra no sistema eleitoral brasileiro. Ao contrário, a lógica que prevalece é a da soberania popular, com a devolução da decisão ao eleitor por meio de nova eleição sempre que há cassação definitiva do eleito.

O Código Eleitoral prevê a realização de novo pleito nesses casos, justamente para evitar distorções na vontade popular. A tentativa de antecipar esse desfecho por via interpretativa, como defende o PL, esbarra em um obstáculo consistente: a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral tem sido praticamente unânime ao afastar esse tipo de “atalho”.

Na prática, o que Walber Virgolino apresenta como solução rápida é visto por especialistas como uma ruptura do rito democrático. A ideia de assumir sem ter vencido nas urnas — ainda que sob o argumento de irregularidades no processo — colide com o princípio básico do sistema eleitoral: quem governa precisa ser escolhido diretamente pela maioria dos eleitores.

Enquanto isso, a cidade segue sob comando interino de José Pereira, que assumiu após o afastamento do prefeito eleito Edvaldo Neto, investigado em operação que apura fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e possível ligação com facção criminosa.

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