O julgamento do núcleo central da trama golpista viveu nesta quarta-feira (10) um dia atípico no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Luiz Fux apresentou um dos votos mais longos da história da Corte: iniciado às 9h da manhã, já se estendia até perto das 21h, com a leitura ainda em andamento. A maratona provocou sinais de impaciência entre os colegas da Primeira Turma, que reagiam discretamente a cada trecho.
Cármen Lúcia passou grande parte do tempo de cabeça baixa, anotando e consultando sua Constituição aberta à mesa. Alexandre de Moraes, relator do caso, alternava olhares para o computador e chegou a pedir documentos a auxiliares durante a exposição. Flávio Dino, por sua vez, mantinha a mão apoiada no queixo, observando atentamente cada frase, enquanto Cristiano Zanin alternava a atenção entre o laptop e o voto, em postura contida.
Absolvição de Bolsonaro
Ao final, o voto de Fux trouxe a absolvição de Jair Bolsonaro (PL). O ministro afastou as acusações de golpe de Estado e de organização criminosa armada, sustentando que não houve comprovação de deposição de um governo legitimamente eleito — requisito, segundo ele, essencial para caracterizar o crime de golpe.
Defesa festeja
A defesa de Bolsonaro comemorou a decisão. O advogado Celso Vilardi afirmou que o voto de Fux “lavou a alma” da equipe jurídica, especialmente pela retirada do crime de organização criminosa, um dos mais graves apontados pela Procuradoria-Geral da República.
Placar e próximos passos
Até o momento, o julgamento está 2 a 1 pela condenação, já que Alexandre de Moraes e Flávio Dino haviam votado contra Bolsonaro na véspera. Restam ainda os votos da ministra Cármen Lúcia e do ministro Cristiano Zanin, previstos para esta quinta-feira (11).
O voto de Fux, entretanto, já provocou efeito imediato: animou aliados do ex-presidente e alimentou a tese de que a batalha jurídica ainda pode ser revertida no plenário da Corte.

