A CPMI do INSS terminou de forma abrupta na madrugada deste sábado (28), sem relatório final, após a rejeição do parecer do relator Alfredo Gaspar por 19 votos a 12. O desfecho escancarou o clima de confronto político dentro da comissão e encerrou os trabalhos sem uma conclusão formal. Nenhum parlamentar da Paraíba participou da votação decisiva, nem a favor, nem contra.
O relatório rejeitado previa o indiciamento de mais de 200 pessoas, incluindo Fábio Luís Lula da Silva, o banqueiro Daniel Vorcaro, o senador Weverton Rocha e parlamentares de diferentes partidos. O texto também sugeria a prisão preventiva de Lulinha, sob alegação de risco de fuga.
A base governista atuou fortemente para barrar o parecer e chegou a articular um relatório alternativo, que incluía o indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro. A proposta, porém, nem chegou a ser votada. O presidente da comissão, senador Carlos Viana, encerrou a sessão logo após a derrota do texto original.
A votação foi marcada por movimentações de última hora. O senador Jacques Wagner viajou às pressas de Salvador para Brasília para participar da sessão. Já o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, deixou temporariamente o cargo para reassumir o mandato no Senado e votar.
Com mais de 4 mil páginas, o relatório apontava a existência de uma rede de 41 empresas suspeitas de operar esquemas de lavagem de dinheiro e pagamento de propinas, com movimentação estimada em R$ 39 bilhões entre 2018 e 2025. O texto também sugeria a investigação de ministros do Supremo Tribunal Federal por possíveis irregularidades.
O relator ainda pediu o indiciamento de ex-ministros da Previdência de diferentes governos, ampliando o alcance político do documento.
Sem acordo e sem relatório aprovado, a CPMI chega ao fim deixando um cenário de impasse, disputa política aberta e uma lista extensa de acusações que agora devem seguir outros caminhos fora da comissão.
Como votaram os parlamentares
Votaram a favor do relatório:
Magno Malta (PL-ES)
Marcio Bittar (PL-AC)
Izalci Lucas (PL-DF)
Eduardo Girão (Novo-CE)
Rogério Marinho (PL-RN)
Damares Alves (Republicanos-DF)
Coronel Fernanda (PL-MT)
Coronel Chrisóstomo (PL-RO)
Marcel Van Hattem (Novo-RS)
Alfredo Gaspar (PL-AL)
Adriana Ventura (Novo-SP)
Votaram contra o relatório:
Soraya Thronicke (Podemos-MS)
Randolfe Rodrigues (PT-AP)
Jacques Wagner (PT-BA)
Eliziane Gama (PSD-MA)
Humberto Costa (PT-PE)
Jussara Lima (PSD-GO)
Rogério Carvalho (PT-SE)
Augusta Brito (PT-CE)
Teresa Leitão (PT-PE)
Meire Serafim (União-AC)
Átila Lira (PP-PI)
Orlando Silva (PCdoB-SP)
Rogério Correia (PT-MG)
Ricardo Ayres (Republicanos-TO)
Alencar Santana (PT-SP)
Paulo Pimenta (PT-RS)
Lindbergh Farias (PT-RJ)
Neto Carletto (Avante-BA)
Dorinaldo Malafaia (PDT-AP)
