sábado, 28 de março de 2026
Votação secreta, madrugada tensa e nenhum paraibano: veja quem decidiu o fim da CPMI do INSS
28/03/2026 05:59
Redação ON Reprodução

A CPMI do INSS terminou de forma abrupta na madrugada deste sábado (28), sem relatório final, após a rejeição do parecer do relator Alfredo Gaspar por 19 votos a 12. O desfecho escancarou o clima de confronto político dentro da comissão e encerrou os trabalhos sem uma conclusão formal. Nenhum parlamentar da Paraíba participou da votação decisiva, nem a favor, nem contra.

O relatório rejeitado previa o indiciamento de mais de 200 pessoas, incluindo Fábio Luís Lula da Silva, o banqueiro Daniel Vorcaro, o senador Weverton Rocha e parlamentares de diferentes partidos. O texto também sugeria a prisão preventiva de Lulinha, sob alegação de risco de fuga.

A base governista atuou fortemente para barrar o parecer e chegou a articular um relatório alternativo, que incluía o indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro. A proposta, porém, nem chegou a ser votada. O presidente da comissão, senador Carlos Viana, encerrou a sessão logo após a derrota do texto original.

A votação foi marcada por movimentações de última hora. O senador Jacques Wagner viajou às pressas de Salvador para Brasília para participar da sessão. Já o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, deixou temporariamente o cargo para reassumir o mandato no Senado e votar.

Com mais de 4 mil páginas, o relatório apontava a existência de uma rede de 41 empresas suspeitas de operar esquemas de lavagem de dinheiro e pagamento de propinas, com movimentação estimada em R$ 39 bilhões entre 2018 e 2025. O texto também sugeria a investigação de ministros do Supremo Tribunal Federal por possíveis irregularidades.

O relator ainda pediu o indiciamento de ex-ministros da Previdência de diferentes governos, ampliando o alcance político do documento.

Sem acordo e sem relatório aprovado, a CPMI chega ao fim deixando um cenário de impasse, disputa política aberta e uma lista extensa de acusações que agora devem seguir outros caminhos fora da comissão.

Como votaram os parlamentares

Votaram a favor do relatório:

Magno Malta (PL-ES)

Marcio Bittar (PL-AC)

Izalci Lucas (PL-DF)

Eduardo Girão (Novo-CE)

Rogério Marinho (PL-RN)

Damares Alves (Republicanos-DF)

Coronel Fernanda (PL-MT)

Coronel Chrisóstomo (PL-RO)

Marcel Van Hattem (Novo-RS)

Alfredo Gaspar (PL-AL)

Adriana Ventura (Novo-SP)

Votaram contra o relatório:

Soraya Thronicke (Podemos-MS)

Randolfe Rodrigues (PT-AP)

Jacques Wagner (PT-BA)

Eliziane Gama (PSD-MA)

Humberto Costa (PT-PE)

Jussara Lima (PSD-GO)

Rogério Carvalho (PT-SE)

Augusta Brito (PT-CE)

Teresa Leitão (PT-PE)

Meire Serafim (União-AC)

Átila Lira (PP-PI)

Orlando Silva (PCdoB-SP)

Rogério Correia (PT-MG)

Ricardo Ayres (Republicanos-TO)

Alencar Santana (PT-SP)

Paulo Pimenta (PT-RS)

Lindbergh Farias (PT-RJ)

Neto Carletto (Avante-BA)

Dorinaldo Malafaia (PDT-AP)

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