O Mineirão, que foi palco de uma das maiores humilhações da história – aqueles 7 x 1 da Alemanha sobre o Brasil na Copa de 2014 – neste fim de semana voltou a protagonizar um espetáculo deprimente. Não foi uma goleada histórica, mas foi algo igualmente constrangedor: a pancadaria generalizada entre jogadores de Cruzeiro e Atlético.
O curioso é que, fora do campo, o comportamento foi exemplar. Durante os últimos anos, Minas Gerais adotou a política de torcida única para evitar confrontos. No clássico deste fim de semana, resolveu-se testar novamente a divisão: 50% de cada torcida no estádio. E o que se viu foi exatamente o oposto do que os teóricos da segurança pública costumam prever. Nas arquibancadas, civilidade. Dentro de campo, um festival de socos, empurrões e pontapés que fez o futebol desaparecer por alguns minutos.
Talvez seja hora de o futebol brasileiro discutir uma nova categoria de partida. Não seria mais jogo com torcida única, como acontece em São Paulo. Talvez o próximo passo seja mais radical: jogos com time único. Porque, pelo visto, o problema não está mais nas arquibancadas – está entre os próprios jogadores.
Enquanto São Paulo proíbe torcidas rivais no estádio e chega ao ponto de evitar jogos no mesmo dia na cidade, o Rio de Janeiro ainda consegue realizar clássicos com as duas torcidas presentes sem transformar cada partida em uma guerra urbana. Já em Belo Horizonte, a violência resolveu aparecer vestindo chuteira.
E, como manda o roteiro moderno do futebol, veio logo depois o inevitável vídeo de desculpas. O atacante paraibano Hulk, um dos protagonistas da confusão, deu entrevista (clique AQUI e veja) pedindo perdão pelo espetáculo grotesco. A mesma mão que minutos antes participava da briga agora olha para a câmera para explicar que “não é esse o exemplo que queremos passar”.
É sempre assim. Primeiro a pancadaria. Depois o comunicado bem-comportado.
No Mineirão, o futebol já conheceu o trauma do 7 x 1. Agora ganhou outro momento constrangedor para sua história. A diferença é que, desta vez, a vergonha não veio do adversário. Veio de quem deveria dar exemplo dentro de campo.