sexta-feira, 24 de julho de 2026
Veneziano x Motta: a briga pelo Senado que deixou o passado partidário no esquecimento
22/06/2026 16:22
Redação ON Reprodução

A política paraibana é especialista em transformar antigos companheiros de bancada em arqui-inimigos de palanque. A mais recente — e virulenta — troca de farpas entre o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), não é um mero desentendimento paroquial. É o desfecho de uma convivência que ruiu quando o espaço para a sobrevivência de ambos afunilou.

Quando o PMDB cabia a Paraíba inteira

Para o leitor mais jovem, pode parecer estranho, mas Hugo Motta e Veneziano Vital do Rêgo já dividiram o mesmo teto partidário e as mesmas estratégias. Nos anos 2010, quando o então PMDB era a maior força política do estado, o clã dos Vital do Rêgo (comandado em Brasília por Vitalzinho e em Campina Grande por Veneziano) coexistia pacificamente com o clã Motta/Wanderley, soberano no Sertão e em Patos.

Hugo elegeu-se deputado federal pela primeira vez em 2010, aos 21 anos, sob a legenda peemedebista. Havia uma divisão geográfica clara e respeitada: Campina e o Agreste eram dos Vital; Patos e o Sertão eram dos Motta. A convivência pacífica só durou porque os territórios não se cruzavam. Quando o grupo de Hugo migrou para o Republicanos e começou a expandir seus domínios para além do Sertão, o verniz da diplomacia começou a trincar.

O Fator Lula 

O estopim da crise atual foi o vídeo em que o presidente Lula declarou apoio explícito à reeleição de Veneziano ao Senado. O gesto isolou o pai de Hugo Motta, Nabor Wanderley (Republicanos), que também planeja disputar a única vaga real que restará na chapa governista em 2026 (considerando a outra como praticamente assegurada ao governador João Azevêdo).

Ao ver seus planos frustrados, Hugo Motta subiu o tom, acusando Veneziano de “desespero” e receitando-lhe um “calmante”. A resposta de Veneziano, contudo, elevou o patamar do confronto, trazendo para o debate local as investigações federais que tiram o sono de Brasília.

O “passo adiante” dessa disputa não está mais no palanque, mas nos bastidores institucionais. Quando Veneziano afirmou que “acorda sem medo de visitas indesejadas às 6h da manhã”, ele disparou um míssil teleguiado contra o calcanhar de Aquiles de Hugo Motta no momento: o envolvimento de seu nome no caso do Banco Master.

A contraofensiva de Veneziano foi cirúrgica. Na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o emedebista usou o peso do seu mandato para aprovar um requerimento exigindo que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, preste informações detalhadas sobre os vultosos empréstimos concedidos pelo Banco Master à cunhada de Hugo Motta, Bianca Medeiros. No Senado, o clima azedou de vez com as declarações de Renan Calheiros (MDB-AL), aliado de Veneziano, sugerindo que as cifras do caso superam os R$ 140 milhões em operações sem amortização.

O Diagnóstico

A trégua histórica acabou. O que antes era uma convivência pragmática de correligionários virou uma briga de foice no escuro. De um lado, Hugo Motta tenta segurar o avanço das investigações na Câmara usando o regimento para frear pedidos de CPI. Do outro, Veneziano usa o tapete verde do Senado para asfixiar politicamente o grupo do presidente da Câmara.

Em 2026, a Paraíba assistirá ao choque definitivo entre a tradicional força de Campina Grande e a ascendência voraz do Sertão. E, pelo tom das últimas 48 horas, o calmante receitado em Patos não fará efeito em Campina.

Se quiser ajustar algum ponto do tom ou incluir mais algum bastidor local que você tenha apurado, me avise e a gente lapida!

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