segunda-feira, 16 de março de 2026
Veneziano sobe o tom contra o PT, mas ele deve saber que ameaças não funcionam com Lula
16/03/2026 15:17
Redação ON Reprodução

A disputa pelo palanque do presidente Lula na Paraíba entrou em uma nova fase – e com o tom visivelmente mais alto. Nesta segunda-feira (16), o senador Veneziano Vital do Rêgo, presidente estadual do MDB, mandou um recado direto ao PT: se o partido optar por apoiar o vice-governador Lucas Ribeiro (PP) na corrida pelo Governo do Estado, poderá perder o apoio do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena.

Não foi uma frase casual. Foi uma advertência política. Segundo Veneziano, a mudança de partido de Cícero para o MDB teve um propósito claro: ajudar a construir um palanque sólido para a reeleição de Lula na Paraíba. Na visão do senador, esse gesto de alinhamento com o projeto nacional do PT naturalmente deveria ser correspondido com apoio à pré-candidatura do prefeito ao governo estadual.

Em outras palavras, o argumento é simples: quem ajuda a construir o palanque presidencial espera reciprocidade política. O problema é que, do outro lado da disputa, está o grupo do governador João Azevêdo, aliado próximo de Lula e responsável por uma das bases mais estáveis do lulismo no Nordeste. É nesse campo que surge a pré-candidatura de Lucas Ribeiro.

Diante desse impasse, o PT tem preferido a cautela. O partido evita escolher lado neste momento e mantém uma posição de observação – algo que lembra, para alguns observadores, o antigo estilo do PSDB de ganhar tempo “em cima do muro”, enquanto o cenário se define.

A declaração de Veneziano, no entanto, mudou o clima da conversa. Ao afirmar que Lula e o PT podem “se arrepender” caso optem por outro palanque, o senador elevou o nível da pressão política. É uma tentativa clara de reforçar o peso do grupo de Cícero na equação eleitoral de 2026.

O detalhe é que a história recente sugere que esse tipo de estratégia raramente funciona com Lula. O presidente pode até negociar, ouvir aliados e adiar decisões – mas dificilmente reage bem a ultimatos públicos. Ao longo da carreira política, Lula construiu uma reputação de decidir no próprio tempo e de resistir a pressões explícitas.

Esse traço ficou evidente até em disputas internacionais recentes. Lula não hesitou em peitar críticas e provocações vindas de fora do país, inclusive em embates indiretos com o ex-presidente americano Donald Trump.

Se não costuma recuar diante de pressões externas, é pouco provável que escolha um palanque estadual sob ameaça política.

Enfim, a disputa na Paraíba segue aberta: dois aliados próximos disputando o mesmo gesto presidencial.

E Lula, fiel ao seu estilo, provavelmente continuará assistindo ao jogo antes de decidir em qual palanque subir.

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