quarta-feira, 22 de abril de 2026
Veneziano “pisa em ovos” e transforma crise do PT em exercício de equilíbrio político
22/04/2026 05:15
Redação ON Reprodução

A crise interna do PT na Paraíba segue rendendo notícia – e, desta vez, com um personagem que optou por não incendiar ainda mais o ambiente. Diante do impasse provocado pelo diretório de Campina Grande, o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) adotou um tom raro no cenário político atual: cautela absoluta, quase cirúrgica, para não desagradar nenhum dos lados.

Enquanto a disputa interna expôs divergências entre a condução da presidente estadual Cida Ramos e o posicionamento do diretório campinense, liderado por Pedro Netho, Veneziano preferiu não entrar no embate. Ao contrário, tratou de diluir a crise com gestos de gratidão, lembranças políticas e uma narrativa que busca reforçar vínculos históricos com o partido.

A fala do senador é reveladora. Em vez de confrontar a divergência – que envolve o apoio simultâneo a nomes como João Azevêdo e ele próprio para o Senado -, Veneziano reposiciona o debate. Ele evita reconhecer qualquer fissura e insiste na ideia de continuidade, como se o apoio do PT à sua candidatura fosse um processo consolidado, quase natural.

Não é uma postura ingênua. É estratégia. Ao citar lideranças históricas do partido, o senador deixou claro o esforço de manter pontes abertas com diferentes correntes internas:

“Eu só tenho encontrado gestos de carinho de membros, como, por exemplo, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que sempre, em todas as oportunidades, em todos os locais, ambientes, em todas as situações, sempre foi muito enfático, nunca deixou de salientar de forma incisiva e bastante convincente o seu apoio à nossa candidatura. Até em razão de um laço que vem desde 1989, 1990, depois, quando eu fui prefeito de Campina Grande. De termos aqui recebido de membros do PT, deputado Luiz Couto, do governador Ricardo Coutinho, da ex-deputada Estela, da ex-prefeita Márcia, do vereador Marcos Henrique, do prefeito Ranieri de Picuí. Agora, dos presidentes estaduais, Juscelia, nosso querido Charliton, Jackson, Eliézer, Adalberto Fulgêncio.”

Blindagem

A declaração funciona como uma espécie de blindagem política. Veneziano não nega o conflito, mas o dilui em uma narrativa mais ampla, onde o que prevalece são laços antigos, afinidades ideológicas e gestos de reconhecimento.

É, na prática, uma tentativa de não escolher lados em um momento em que escolher pode significar perder.

O movimento chama atenção porque contrasta com o ambiente interno do próprio PT. De um lado, a direção estadual tenta manter o controle das articulações, inclusive com o olhar voltado para uma possível composição com o grupo do governador Lucas Ribeiro, que pode abrir espaço para o partido indicar o candidato a vice. Do outro, diretórios municipais, como o de Campina Grande, demonstram disposição de interferir diretamente no rumo dessas alianças.

Nesse cenário, Veneziano atua como quem atravessa um campo minado. Sua fala não confronta Cida Ramos, não desautoriza Pedro Netho e tampouco fecha portas para outras composições. Ao contrário: mantém todas abertas. É um discurso calculado para sobreviver politicamente a um momento em que o PT ainda não conseguiu alinhar internamente sua estratégia para 2026.

No meio de uma queda de braço interna, Veneziano não puxa a corda. Prefere equilibrar-se sobre ela.

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