A sessão da Câmara dos Deputados desta terça-feira (19) pegou fogo. O que era para ser apenas a votação simbólica de um requerimento de urgência ao projeto de lei 2.628/2022 — que trata da proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais — acabou se transformando em um verdadeiro arranca-rabo entre o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), e deputados da oposição bolsonarista, entre eles Nícolas Ferreira (PL-MG) e Carlos Jordy (PL-RJ).
O estopim da confusão veio logo após a aprovação simbólica da urgência, sem registro nominal. Irritado, Jordy protestou: “Não quero acreditar que Vossa Excelência esteja fazendo escola com Alexandre de Moraes. O presidente que muitas vezes tem sido democrático quer tratorar toda uma bancada que é contrária a essa proposta”.
Motta não deixou barato. Em tom firme, rebateu dizendo que ninguém havia pedido votação nominal no tempo regimental e seguiu com a pauta. A bronca, no entanto, aumentou quando entrou em discussão outro requerimento: uma proposta para mudar o Regimento Interno e punir deputados que obstruam os trabalhos da Casa — medida vista como resposta direta ao tumulto promovido por bolsonaristas duas semanas atrás.
A oposição endureceu ainda mais. O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) acusou Motta de se tornar “o braço da ditadura sentado na cadeira de presidente”. Orlando Silva (PCdoB-SP), da base governista, também demonstrou preocupação com o que chamou de “concentração de poder” nas mãos do presidente da Câmara.
Hugo Motta elevou o tom, reafirmou que não pretende “hipertrofiar poderes” e justificou que sua iniciativa tem o objetivo de “preservar o bom funcionamento da Casa”.
No meio de gritos, reclamações e microfones abertos, a tarde terminou marcada mais pela troca de farpas do que pelo debate sobre o projeto em si.

