quarta-feira, 8 de abril de 2026
Veja as empresas da Paraíba incluídas na lista do trabalho escravo divulgada pelo Governo Federal
08/04/2026 07:39
Redação ON Reprodução

A nova atualização do Cadastro de Empregadores flagrados com trabalho em condições análogas à escravidão, divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, trouxe um dado incômodo para a Paraíba: o estado aparece entre os quatro com maior número de novas inclusões em todo o Brasil.

O levantamento, atualizado em abril de 2026, revela um cenário preocupante em escala nacional e, ao mesmo tempo, lança luz sobre um problema que também cresce dentro das fronteiras paraibanas. Ao todo, foram 169 novos empregadores incluídos na chamada “lista suja”, somando agora 613 nomes ativos. As ações de fiscalização resultaram no resgate de 2.247 trabalhadores submetidos a condições degradantes.

Na Paraíba, o destaque negativo ficou concentrado principalmente no setor da construção civil.

As seguintes empresas paraibanas aparecem na lista:

– ABC e AGS Manaíra Premium Construções

– Antunes Engenharia LTDA

– Arko Construções LTDA

– CSQ Engenharia LTDA

– Lamenha Construções e Incorporações

– LMF Construções e Incorporação SPE

A presença dessas empresas no cadastro indica que fiscais do trabalho identificaram situações que podem configurar trabalho análogo à escravidão, como jornadas exaustivas, condições degradantes ou ausência de direitos básicos.

O impacto vai além da imagem. As empresas incluídas passam a enfrentar restrições como dificuldade de acesso a crédito e impedimentos para contratos com o poder público. Os nomes permanecem no cadastro por dois anos.

Casos nacionais

A atualização também ganhou repercussão nacional ao incluir nomes de grande visibilidade. Entre eles está a montadora BYD, envolvida em irregularidades nas obras de sua fábrica em Camaçari, na Bahia, onde mais de 160 trabalhadores chineses foram resgatados. A empresa afirma que a responsabilidade é de uma terceirizada.

Outro caso que chamou atenção foi o do cantor Amado Batista, incluído após fiscalizações em propriedades rurais. A defesa do artista nega as acusações e sustenta que as áreas estavam arrendadas.

Até Amado Batista entrou na lista

Os episódios reforçam que o problema não está restrito a pequenas empresas ou regiões isoladas, mas atravessa diferentes setores da economia.

No caso da Paraíba, o fato de a construção civil concentrar as ocorrências acende um alerta específico. O setor, que vive expansão no estado, passa a ser pressionado por maior fiscalização e responsabilidade social.

A lista, atualizada a cada seis meses, funciona como instrumento de transparência e também de cobrança. Para a Paraíba, o recado é direto: crescimento econômico não pode conviver com práticas que violam direitos básicos do trabalhador.

O TOP-10

1.    Minas Gerais: 35 novos (Lidera historicamente, principalmente no setor de café e carvão).

2.    São Paulo: 20 novos (Construção civil e confecção têxtil).

3.    Bahia: 18 novos (Agronegócio e infraestrutura).

4.    Paraíba: 15 novos (Destaque para construção civil urbana).

5.    Goiás: 12 novos (Pecuária e produção de cana).

6.    Pará: 11 novos (Pecuária e desmatamento).

7.    Mato Grosso: 10 novos (Soja e algodão).

8.    Maranhão: 8 novos (Extração de carnaúba).

9.    Rio de Janeiro: 7 novos (Serviços e construção).

10.  Paraná: 6 novos (Erva-mate e agricultura).

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