A investigação sobre os recursos do Banco Master destinados à produção de “Dark Horse”, filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, revelou uma extensa sequência de contatos entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro. Mensagens, áudios, ligações e referências a encontros presenciais mostram cobranças para a liberação de dinheiro e o acompanhamento da produção. A apuração é do portal Metrópoles, com base nos registros tornados públicos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Parte das conversas ocorreu por intermédio do marqueteiro Thiago Miranda. Em 8 de dezembro de 2024, ele procurou Vorcaro para marcar uma reunião com Flávio e informou que um dos assuntos seria o “filme do presidente”. Dois dias depois, encaminhou mensagem atribuída ao senador avisando que o deputado Mário Frias também participaria do encontro por ser idealizador do projeto.
Em 20 de janeiro de 2025, Miranda cobrou de Vorcaro o primeiro aporte para o filme e enviou uma captura de conversa com um contato identificado como Flávio Bolsonaro, na qual era pedida uma resposta do jurídico do investidor. Oito dias depois, Vorcaro perguntou a Fabiano Zettel sobre o pagamento e, ao saber que ainda não havia sido feito, afirmou que aquele era “o mais importante disparado” e que não poderia haver nova falha.
Em março, Miranda informou que “Flavio B e Eduardo” queriam se reunir com Vorcaro para tratar do filme. Também foi encaminhada uma conversa atribuída a Eduardo Bolsonaro com orientações relacionadas à gestão dos recursos nos Estados Unidos.
Os contatos continuaram ao longo do ano. Em 20 de agosto, mensagens indicam um provável encontro presencial entre Flávio e Vorcaro. Em 8 de setembro, o senador enviou áudio cobrando pagamentos e manifestando preocupação com compromissos assumidos com o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh. Vorcaro pediu desculpas e disse que tentaria resolver.
Em 15 de setembro, Miranda avisou que Flávio queria mostrar pessoalmente ao banqueiro o que estava sendo gravado e sugeriu um encontro na residência de Vorcaro. No dia seguinte, houve registro de ligação entre os dois, em período próximo à última remessa da Entre Investimentos para a Havengate Development Fund LP. Em 17 de setembro, novas mensagens indicam outro possível encontro presencial, além de outras tentativas de agendamento naquele mês.
Em 22 de outubro, Flávio disse a Vorcaro que o filme estava no terceiro dia de gravação e que a produção estava “no limite”. Pediu que o banqueiro avisasse caso não pudesse realizar o aporte para que ele buscasse outra solução com urgência. Vorcaro respondeu que resolveria. O senador também o convidou para jantar, em São Paulo, com o ator principal e o diretor. Dias depois, Thiago Miranda voltou a cobrar um pagamento que, apesar de supostamente liberado, não teria chegado ao destino.
No dia 7 de novembro, Flávio enviou um vídeo a Vorcaro e afirmou que aquilo só estava acontecendo graças à ajuda do banqueiro. Nove dias depois, às vésperas da Operação Compliance Zero, tentou telefonar para ele e escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.
No dia seguinte, 17 de novembro de 2025, Vorcaro foi preso por volta das 22h ao tentar embarcar em um jato particular com destino a Dubai. Em 18 de novembro, foi deflagrada a primeira fase da Operação Compliance Zero.

