Entre 2024 e 2025, na Paraíba, o valor total da produção das lavouras temporárias e permanentes apresentou crescimento nominal de 18,7%, passando de cerca de R$ 3,03 bilhões para R$ 3,59 bilhões. Essa é a 6ª alta consecutiva do indicador estadual que, desde 2020, não parou de crescer. As informações fazem parte dos resultados da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM) – 2025, divulgados nesta quinta-feira (17), pelo IBGE.
Cabe destacar que a PAM 2025 incorporou em seu levantamento novos produtos das lavouras temporárias (11) e permanentes (3). Entre os que apresentaram registro de valor de produção na Paraíba, estão o inhame (R$ 283 milhões), o milho verde (R$ 89,8 milhões), a acerola (R$ 15,2 milhões) e a graviola (R$ 4,1 milhões), totalizando R$ 392,2 milhões. A inclusão desses quatro produtos foi responsável por parte expressiva do crescimento observado no valor da produção agrícola estadual: sem eles, a variação de 2024 para 2025 teria sido de 5,8%, ante os 18,7% registrados com sua incorporação.
A variação anual positiva do indicador estadual (18,7%) ficou acima da alta registrada na média nordestina, de 11% e da nacional de 18.4%, e foi a maior entre todos os estados do Nordeste, sendo a 12ª maior variação do país. Pernambuco foi o único estado nordestino a registrar queda (-1,3%). No ranking nacional, a Paraíba obteve o 22º maior valor de produção, ocupando a penúltima posição no Nordeste. As maiores altas nacionais foram obtidas pelo Rio de Janeiro (65,1%), Espírito Santo (44,9%) e Mato Grosso (37,1%), enquanto dois estados tiveram quedas: Rio Grande do Sul (-5,9%) e Pernambuco (-1,3%).
A produção de cereais, leguminosas e oleaginosas na Paraíba, que inclui algodão herbáceo (em caroço), amendoim (em casca), arroz (em casca), fava (em grão), feijão (em grão) e milho (em grão), registrou retração expressiva entre 2024 e 2025, com queda de 46,9% no valor da produção (passou de R$ 191,56 milhões, para R$ 101,80 milhões), de 56,5% na quantidade produzida (de 73,68 toneladas para 32,04 toneladas) e de 25,8% na área colhida (de 186,87 hectares para 138,67 hectares), com destaque para as quedas na quantidade produzida de feijão (-58,8%) e de milho (-61,7%). Como reflexo direto, a área total colhida nas lavouras temporárias do estado recuou 6% (de 330,4 mil hectares, para 310,7 mil hectares), enquanto a área das lavouras permanentes avançou 3,6% (de 32,20 hectares, para 33,37 hectares).

Entre os produtos com maior participação no valor total da produção agrícola paraibana, em 2025, a cana-de-açúcar manteve a primeira posição, mas com participação substancialmente menor (29,7%), seguida de perto pelo abacaxi (28%), que ganhou espaço expressivo entre 2024 e 2025. A diferença entre as duas culturas, que em 2024 era de 18 pontos percentuais (40,2% contra 22,2%), caiu para apenas 1,7 p.p. em 2025, tornando concreta a possibilidade de uma inversão na liderança nos próximos anos. Em terceiro lugar, ficou a banana (cacho), com 7,5%; seguida pela mandioca (5,8%) e pela batata-doce (3,4%).
Paraíba mantém liderança nacional na produção de abacaxi, ultrapassa R$ 1 bilhão no valor da produção pela primeira vez e registra maior colheita desde 2018
Em 2025, a Paraíba manteve a liderança nacional na produção de abacaxi pelo segundo ano consecutivo, com 331,9 milhões de frutos, alta de 10,3% frente a 2024, quando a produção foi de 300,9 milhões de frutos, e o maior volume colhido desde 2018 (334,9 milhões). O 2º maior produtor é o Pará, com 314,9 milhões de frutos, seguido pelo Rio de Janeiro (169,6 milhões) e Minas Gerais (149,5 milhões).
Em 2025, os municípios paraibanos que lideraram a produção de abacaxi foram: Pedras de Fogo, com 88 milhões de frutos; Itapororoca (64,4 milhões); Araçagi (45 milhões); Santa Rita (31,5 milhões) e Cuité de Mamanguape (13,5 milhões).

O levantamento mostra ainda que o valor da produção da lavoura do abacaxi registrou crescimento expressivo de 49,6% entre 2024 (R$ 671,8 milhões) e 2025 (R$ 1 bilhão), tendo ultrapassado pela primeira vez a marca de R$ 1 bilhão, na Paraíba. Com isso, a participação do abacaxi no valor total da produção agrícola paraibana saltou de 22,2% em 2024, para 28% em 2025, aproximando-se intensamente da cana-de-açúcar (29,7%) que, historicamente, liderou com ampla margem. Nos totais das áreas plantada e colhida das lavouras de abacaxi no estado, verificou-se expansão de 3,2%, ambas passando de 9.419 hectares (ha) em 2024, para 9.717 ha em 2025.
Cana-de-açúcar cresce em área e quantidade, mas perde participação no valor da produção

Embora tenha registrado queda de 12,4% no valor da produção entre 2024 (R$ 1,22 bilhão) e 2025 (R$ 1,07 bilhão), a lavoura da cana-de-açúcar manteve a primeira posição no valor total da produção agrícola paraibana, ainda que com redução em 10,5 pontos percentuais (p.p.) de participação (de 40,2%, para 29,7%, respectivamente).
Esse recuo no valor contrasta com o desempenho físico da lavoura: em 2025, o estado produziu cerca de 7,36 milhões de toneladas de cana, crescimento de 2,4% frente ao ano anterior (7,18 milhões de toneladas), enquanto a área colhida avançava 11,9% (de 110,9 mil ha, para 124,2 mil hectares), a maior registrada nos últimos anos. A produção da Paraíba foi a 9ª maior do Brasil e a 3ª maior do Nordeste, inferior apenas às obtidas pelos estados de Alagoas (16,3 milhões de toneladas) e Pernambuco (13,9 milhões de toneladas). A queda no valor, portanto, reflete a dinâmica de preços pagos ao produtor, não uma retração da atividade canavieira.
Paraíba segue, pelo 9º ano consecutivo, como o 2º maior produtor de fava em grão do país
A PAM aponta ainda que, desde 2017, a produção de fava na Paraíba tem sido a 2ª maior entre todas as unidades da federação, sendo desde então superada apenas pela quantidade produzida pelo Ceará. Em 2025, essa situação foi mantida pelo nono ano consecutivo, com a produção cearense alcançando 5.906 toneladas, enquanto a quantidade produzida na Paraíba foi de 1.965 toneladas. O 3º maior produtor de fava do país é Pernambuco, com 1.200 toneladas.

O quantitativo estadual de 2025 aponta para uma retração de 30,8% na produção de fava frente a 2024 (2.839 toneladas), reflexo também das condições climáticas adversas que afetaram as lavouras de sequeiro no estado. Nesse mesmo comparativo, a área colhida recuou de 8.520 ha para 6.537 ha (-23,3%), e o valor da produção registrou queda menor, de 5,7%, passando de R$ 25,9 milhões para R$ 24,4 milhões. No Brasil, a produção dessa lavoura está majoritariamente concentrada no Nordeste, sendo Bahia o único estado da região sem produção relevante, e Rio Grande do Sul e Tocantins os únicos produtores fora dessa região.
Dos municípios paraibanos produtores de fava em grão, os responsáveis pelas maiores quantidades foram: Mogeiro, com 252 toneladas; Alagoa Grande (240 ton); Araçagi (150 ton); Massaranduba (105 ton); e Nova Floresta (80 ton).
Paraíba registra recorde histórico na produção de coco-da-baía e passa da 9ª para a 7ª posição nacional
A PAM 2025 constatou que a Paraíba produziu 94,8 milhões de frutos do coco-da-baía, a maior quantidade de toda a série histórica iniciada em 2006, superando o anterior recorde de 83,5 milhões de frutos registrado em 2024, e a 7ª maior entre todas as unidades da federação, subindo duas posições em relação ao ano anterior, quando o estado ocupava a 9ª colocação há mais de dez anos. Os maiores produtores do país foram o Ceará (587,3 milhões de frutos) e a Bahia (363,8 milhões).
Frente à quantidade produzida em 2024, de 83,5 milhões de frutos, houve aumento de 13,5% na produção paraibana de coco-da-baía. Quando comparado ao resultado de 2019 (33,9 milhões de frutos), a menor produção dos últimos vinte anos, o avanço foi de 179,5%, indicando forte e contínua recuperação da lavoura no estado nos últimos seis anos. A área colhida variou 12,2% (de 7,2 mil ha, para 8 mil ha), e o valor da produção cresceu 27,3% (de R$ 83,2 milhões, para R$ 105,9 milhões) a 8º maior do país. A participação dessa lavoura no valor total da produção agrícola estadual cresceu levemente, de 2,7% para 2,9%.
