A federação entre Progressistas (PP) e União Brasil, batizada de União Progressista, nasce com uma meta clara e ambiciosa: se livrar do estigma do bolsonarismo e construir uma nova direita capaz de enfrentar o presidente Lula em 2026. A estratégia dos caciques é simples e direta: desembarcar o quanto antes do governo federal, reorganizar a base parlamentar e apresentar-se como alternativa viável para chegar ao segundo turno das eleições presidenciais.
Mais do que um arranjo formal, a federação passa a controlar 20% do Congresso Nacional, tornando-se a maior força política organizada no Legislativo. São 109 deputados federais e 15 senadores sob o mesmo guarda-chuva, além de governadores e lideranças regionais que agora têm o desafio de alinhar discursos e projetos. O movimento é visto como a construção de uma “superpotência partidária”, com tempo de TV ampliado, fundo eleitoral robusto e poder de barganha imediato em Brasília.
Desembarque do governo Lula
O rompimento com o governo é considerado inevitável. Embora PP e União Brasil detenham cinco ministérios, lideranças como Ciro Nogueira já afirmam publicamente que a saída é apenas questão de tempo. A justificativa é que permanecer atrelado ao governo petista seria incompatível com o projeto de criar uma direita moderada, competitiva e capaz de romper a polarização que marcou os últimos pleitos.
Presidenciáveis no radar
Entre os nomes cogitados para 2026 estão o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e o paulista Tarcísio de Freitas, que hoje integra o Republicanos, mas participa das articulações. Até mesmo figuras de fora do campo tradicional da federação, como Ciro Gomes, aparecem orbitando o projeto, numa tentativa de alargar ainda mais o espectro da União Progressista. O objetivo é construir um palanque que possa disputar espaço com Lula e, ao mesmo tempo, se distanciar do desgaste de Jair Bolsonaro.
O dilema paraibano
Na Paraíba, a nova federação coloca dois possíveis candidatos ao governo estadual em situação delicada. De um lado está o vice-governador Lucas Ribeiro, apoiado por João Azevêdo, aliado de Lula. Se for escolhido pela União Progressista, terá de se afastar do presidente, rompendo com a base que o sustenta hoje. Do outro lado, surge o senador Efraim Filho, que recentemente selou aproximação com o bolsonarismo ao participar de evento com Michelle Bolsonaro em João Pessoa. Caso a federação consolide a estratégia de se afastar definitivamente do bolsonarismo, Efraim também terá de recalibrar sua posição. Em ambos os casos, a disputa estadual será um reflexo direto da estratégia nacional: enterrar Bolsonaro e reposicionar a direita para enfrentar o PT.
Um novo mapa político
A União Progressista surge como um divisor de águas na política brasileira. Se conseguirá cumprir o objetivo de reconstruir a direita sem Bolsonaro e se tornar competitiva contra Lula ainda é incerto. Mas uma coisa já está clara: com a maior bancada do Congresso e ambições presidenciais declaradas, a federação muda o jogo a partir de agora.

