Uma “personalidade” chamada Hytalo Santos: a notoriedade que Cajazeiras não quer celebrar
15/08/2025 05:47
Redação ON Reprodução

A Paraíba costuma celebrar quando um conterrâneo ganha projeção nacional. Seja na política, na economia ou no Judiciário, nomes como os dos presidentes da Câmara dos Deputados; do Tribunal de Contas da União; e do Superior Tribunal de Justiça – todos esses órgãos comandados por paraibanos – são motivos de orgulho para o Estado. Mas, desta vez, a repercussão é de sinal oposto: a fama que ganhou o influenciador digital cajazeirense Hytalo Santos, acusado de crimes sexuais contra menores, é motivo de vergonha coletiva. O pior é que esse escândalo não sai da mídia, e está em todos os grandes veículos da chamada Grande Imprensa.

O que começou como uma trajetória de ascensão meteórica nas redes sociais desmoronou diante de denúncias graves, investigações do Ministério Público da Paraíba e decisões judiciais que determinaram o afastamento de adolescentes de seu convívio e a suspensão de seus perfis nas plataformas digitais. Hytalo é acusado de expor menores de forma sexualizada, promover festas com bebidas alcoólicas para adolescentes e, segundo relatos, envolver-se em promessas de troca de apoio político por empregos públicos.

Em meio à crise, alguns políticos tentam agora culpar a internet pelo escândalo, como se as redes sociais fossem a única raiz do problema. É inegável que o fato de Hytalo ser influenciador e ter usado a internet como principal ferramenta para atrair crianças seja relevante. Mas o que realmente enlameia o nome de Cajazeiras e da Paraíba é o fato de um conterrâneo ter recebido homenagens, medalhas e honrarias de políticos experientes, que acreditaram cegamente em sua imagem pública — e hoje pagam o preço do erro.

Um cajazeirense

Em Cajazeiras – cidade de 65 mil habitantes, situada a 500 km da capital João Pessoa –  sua imagem era até pouco tempo exaltada por políticos e lideranças locais. Recebeu um voto de aplausos da Assembleia Legislativa da Paraíba, aprovado por unanimidade em 2023, por iniciativa do deputado estadual Júnior Araújo, que agora admite que não repetiria a homenagem.

Patrocinou o Carnaval da cidade em 2024 e 2025, por meio de sua empresa de sorteios, e recebeu das mãos do então prefeito José Aldemir a chave da cidade. Hoje, esses gestos de celebração se tornaram constrangedores para quem os protagonizou, revelando uma falta de prudência em reconhecer publicamente figuras que não resistiram ao teste do tempo e da conduta.

Outro escândalo sexual

O caso Hytalo também evoca lembranças incômodas para Cajazeiras, que há pouco tempo viu outro escândalo de natureza semelhante. Em 2023, o ex-presidente da Câmara Municipal, Marcos Barros de Souza, foi preso e condenado por estupro de vulnerável, após abusar de uma adolescente de 14 anos nas dependências do Legislativo. Assim como agora, a cidade assistiu à queda de um nome que ocupava posição de destaque, mas cuja conduta revelou-se criminosa.

Não se trata de criminalizar Cajazeiras ou a Paraíba, mas de reconhecer que a pressa em associar a imagem da cidade e do Estado a figuras públicas sem o devido escrutínio pode gerar, no futuro, um efeito contrário ao desejado: transformar orgulho em constrangimento. Para uma região que tanto valoriza a vitória de seus filhos, neste momento, a ascensão de Hytalo Santos aos holofotes nacionais não é motivo de festa, mas um lembrete amargo de que nem toda notoriedade merece aplausos.

O escândalo cajazeirense virou capa da revista Veja

 

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