A ofensiva do GAECO nesta quinta-feira reacende um tema sensível no meio jurídico da Paraíba: a suspeita de uso estratégico da própria Justiça como instrumento de lucro privado. O Ministério Público, por meio do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado, encaminhou ao Tribunal de Justiça uma denúncia que atinge diretamente o juiz Glauco Coutinho Marques e os advogados Hilton Souto Maior Neto, Henrique Souto Maior Muniz de Albuquerque, Luis Henrique de Amorim Santos e Armando Palhares Silva Júnior.
As apurações, que são um braço da Operação Retomada, sustentam que existia uma estrutura organizada para provocar decisões judiciais fabricadas. A engrenagem funcionaria com a abertura de ações judiciais em série, respaldadas por associações que aparentavam regularidade, mas que não exerciam atividade concreta. O foco principal, segundo o MPPB, era a comarca de Gurinhém, onde o magistrado atuava.
A lista de vantagens supostamente obtidas por meio das liminares é ampla: desde suspensão de empréstimos consignados até reativação indevida de benefícios já expirados, passando por exclusões artificiais em cadastros de crédito e até concessão de empréstimos para idosos sem respaldo formal do sistema financeiro. O MP sustenta que isso gerou um circuito constante de circulação de valores privados amparados em decisões de aparência institucional.
Na mesma peça, o MPPB pede que o Judiciário adote a medida cautelar de bloqueio de um automóvel de luxo vinculado ao nome de Armando Palhares Silva Júnior. Segundo o órgão, o carro, embora registrado em nome de Armando, teria como proprietário de fato o advogado Hilton Souto Maior Neto, que ficará como depositário judicial do bem até ordem contrária.