Há um ano, em 18 de julho de 2025, Jair Bolsonaro (PL) passou a usar tornozeleira eletrônica por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sob o argumento de risco de fuga enquanto era investigado por suposta tentativa de coagir autoridades estrangeiras e respondia ao processo sobre a trama golpista. A medida inaugurou uma sequência de desdobramentos que incluiu prisão domiciliar, condenação por tentativa de golpe de Estado, transferência para o sistema prisional, internações e novas decisões judiciais.
Ao longo desse período, Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão pela Primeira Turma do STF, permaneceu inicialmente em prisão domiciliar, acabou preso após a tentativa de danificar a tornozeleira eletrônica e foi transferido da Superintendência da Polícia Federal para a Papudinha. Problemas de saúde motivaram diversas internações e, posteriormente, o retorno ao regime domiciliar por razões humanitárias.
Mesmo submetido a restrições judiciais, Bolsonaro continuou sendo o principal articulador político do PL. Ainda durante a prisão domiciliar, recebeu lideranças para discutir candidaturas e alianças, preservando influência decisiva sobre as eleições de 2026. Com o endurecimento das medidas impostas pelo STF, as visitas passaram a ser limitadas a familiares autorizados e advogados.
O episódio mais recente envolveu a divulgação, por Flávio Bolsonaro, de uma carta em que o ex-presidente declarava apoio à pré-candidatura do senador ao Palácio do Planalto. O caso levou Alexandre de Moraes a restringir as visitas de Flávio ao pai, por entender que poderia ter havido descumprimento das condições da prisão domiciliar.
Paralelamente, a disputa pela liderança da direita expôs um racha entre Flávio e Michelle Bolsonaro. Após trocas públicas de críticas, Jair Bolsonaro divulgou uma carta reafirmando apoio à candidatura presidencial do filho, enquanto Michelle manteve a intenção de disputar o Senado. Embora o PL tenha atuado para conter a crise, aliados admitem que as divergências permanecem nos bastidores, às vésperas do início das convenções partidárias para as eleições de 2026.
