Uma colisão de informações técnicas e datas criou, nesta semana, um cenário de incerteza para a comunidade acadêmica paraibana. Um intervalo de apenas nove dias separa dois anúncios que, em tese, deveriam ser complementares, mas que se revelaram contraditórios: a recomposição orçamentária celebrada pelo Governo Federal e o cancelamento de recursos denunciado pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
O primeiro capítulo dessa divergência ocorreu no dia 20 de janeiro. Naquela terça-feira, o Ministério do Planejamento e Orçamento publicou no Diário Oficial da União uma portaria autorizando a devolução integral de R$ 977 milhões ao Ministério da Educação. O montante, que havia sido reduzido pelo Congresso Nacional durante a tramitação da Lei Orçamentária Anual (LOA), retornava aos cofres da educação justamente para garantir o custeio – pagamento de água, luz e segurança – das instituições federais. Na ocasião, o ministro Camilo Santana reforçou publicamente o compromisso da gestão em “repor possíveis cortes”, sinalizando uma normalidade administrativa para o ano letivo de 2026.
Contudo, a solução anunciada em Brasília parece não ter contemplado a realidade local. Nesta quinta-feira (29), a UFPB emitiu uma nota oficial desenhando um quadro oposto ao otimismo federal. A instituição confirmou que sofreu um corte efetivo de R$ 14,3 milhões em seu orçamento. O ponto nevrálgico da questão reside na natureza técnica da medida: segundo a universidade, não se trata de um “bloqueio” temporário – prática comum em ajustes fiscais e que permite liberação futura -, mas sim de um “cancelamento concreto” de recursos.
A nota da UFPB traz ainda um dado que aprofunda o mistério sobre os critérios adotados: a administração superior afirma que a instituição foi a única universidade federal do país a ter o orçamento efetivamente reduzido neste momento, enquanto as demais estariam lidando apenas com os trâmites de recomposição ou bloqueios provisórios.
O impasse sugere um descompasso entre a intenção anunciada pelo MEC de blindar o funcionamento das universidades e a execução orçamentária que atingiu a Paraíba. Até o momento, não há uma justificativa oficial pública que explique por que a UFPB ficou de fora da recomposição geral do dia 20 ou quais critérios técnicos motivaram um corte definitivo exclusivo para o estado. Enquanto a incongruência de versões permanece, a universidade projeta um ano de 2026 com o desafio de manter serviços básicos com R$ 14 milhões a menos do que o previsto.