Após meses de dedicação e trabalho em laboratório de pesquisa, foi apresentada uma ferramenta que se mostrou capaz de solucionar um problema de saúde nacional. Assim, nesta segunda-feira (9), o kit de detecção de Metanol em bebidas destiladas desenvolvido na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) foi lançado como um reforço na prevenção de políticas públicas de saúde e em defesa do consumidor.
A solenidade foi na sede do Procon Estadual, em João Pessoa, e contou com a participação do Governo da Paraíba, por meio da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior (SECTIES). A tecnologia é pioneira no Brasil e se apresentou como marco em um momento de crise sanitária, quando 16 pessoas morreram no Brasil após ingerirem bebidas destiladas com presença da substância Metanol até o final de 2025.
A pesquisa de detecção do Metal nas bebidas destiladas foi coordenada pelo professor David Douglas Fernandes, vinculado ao Programa de Pós-graduação em Química (PPGQ), em colaboração com os professores Railson de Oliveira Ramos, Germano Veras (PPGQ) e Felix Brito (PPGCA), com a participação de outros(as) pesquisadores(as). O método detecta adulterações em poucos minutos, sem produtos químicos.
Esta tecnologia desenvolvida na UEPB teve financiamento do Governo da Paraíba, por meio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba (FAPESQ). Os kits permitem identificar a presença de Metanol e outras fraudes em bebidas alcoólicas em aproximadamente 15 a 20 minutos, possibilitando uma atuação imediata das equipes de fiscalização. Na solenidade de apresentação da inovação, a vice-reitora, professora Ivonildes Fonseca; e a pró-reitoria de Pós-graduação e Pesquisa, professora Nadja Oliveira, estiveram presentes.
Para a vice-reitora, esse foi um momento muito especial para a Paraíba, uma vez que solução de um problema grave de saúde partiu de dentro de uma Universidade, o que prova a importância do investimento e crença na ciência. Já a pró-reitoria de Pós-graduação destacou que para que essa ação se concretizasse foram necessárias parcerias institucionais da UEPB com a SECTIES e FAPESQ, para fomento e financiamento de insumos, reagentes, bolsas para os(as) pesquisadores(as) envolvidos(as) e manutenção de equipamentos.
O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Cláudio Furtado, frisou a importância dos investimentos em pesquisa e seus reflexos diretos para a população. “É muito bom ver um produto saindo das prateleiras da Universidade e chegando à sociedade. Isso mostra que a ciência produzida na Paraíba tem impacto real na vida das pessoas”, disse.

Neste primeiro momento foram entregues 200 kits, dentro de um investimento de R$ 1,5 milhão. A iniciativa prevê novas entregas em etapas posteriores, ampliando gradativamente a cobertura das ações de fiscalização em todo o território paraibano. Esta ação reforça o caráter preventivo das políticas públicas de defesa do consumidor, especialmente em períodos de maior movimentação, como o Carnaval por exemplo.
Os kits são acompanhados de um aplicativo com orientações didáticas para o uso correto da ferramenta. Seguro e de fácil manuseio, o material utiliza reagentes que podem ser descartados em lixo comum. Destinado exclusivamente a técnicos capacitados, o kit não pode ser comercializado ao público. A superintendente do Procon-PB, Késsia Liliana Dantas, também participou da solenidade de entrega dos kits de detecção por meio de análise colorimétrica.