João Pessoa vive um dos melhores momentos de sua história recente no turismo. Hotéis cheios, voos lotados, ocupação elevada e presença constante da capital paraibana em rankings nacionais de destinos mais procurados do país confirmam esse crescimento contínuo. No entanto, um sinal de alerta foi aceso neste fim de semana, não pelos números, mas pela imagem.
A edição deste sábado da Folha de S.Paulo trouxe uma reportagem de página inteira apontando problemas de contaminação por esgoto em praias urbanas de João Pessoa, como Tambaú, Manaíra e Cabo Branco, em pleno período de alta temporada. O impacto da publicação não está apenas no problema ambiental em si, que vem sendo enfrentado pelas autoridades, mas sobretudo na antipropaganda gerada em um dos maiores jornais do país.

A Folha relata que turistas encontraram “manchas escuras no mar, provenientes de esgoto”, e destaca a frustração de visitantes que chegaram à cidade esperando encontrar praias próprias para banho. Em um dos trechos, o jornal afirma que “a capital paraibana voltou a registrar descarte irregular de esgoto no mar nos primeiros dias de 2026”, justamente quando a cidade recebe grande fluxo de turistas.
Do ponto de vista institucional, providências começaram a ser adotadas ainda nesta semana. Órgãos ambientais realizaram inspeções, identificaram ligações clandestinas, aplicaram multas e autuaram estabelecimentos flagrados despejando resíduos na rede pluvial ou diretamente no mar. O Ministério Público da Paraíba também entrou em campo, convocando reuniões e prometendo a divulgação de um relatório técnico com diagnóstico detalhado do problema.
A própria reportagem da Folha registra a troca de acusações entre Prefeitura e Governo do Estado, com o prefeito atribuindo parte da responsabilidade à estrutura do sistema de esgotamento sanitário e o governo estadual alegando que há falhas na fiscalização municipal e nas ligações irregulares feitas por empresas e imóveis privados.
Mas, para além da disputa política e das medidas emergenciais, a grande preocupação agora é com o dano à imagem. Uma matéria desse porte, em um veículo de alcance nacional, tem potencial de afastar turistas, influenciar decisões de viagem e gerar receio em quem planeja conhecer a cidade.
João Pessoa construiu, ao longo dos últimos anos, uma reputação de destino organizado, acolhedor e sustentável. Por isso, o episódio expõe um desafio que vai além da solução técnica do problema ambiental: é preciso agir rápido, comunicar com transparência e mostrar que o poder público está atento, atuante e comprometido em proteger tanto o meio ambiente quanto a principal vitrine econômica da cidade.
O turismo continua crescendo. Os números seguem positivos. Mas a reportagem da Folha deixa claro que, em tempos de visibilidade nacional, descuidos ambientais se transformam rapidamente em antipropaganda — e essa conta, quando chega, costuma ser alta.