A Paraíba vive uma disputa institucional inédita envolvendo a LDO 2026 – a Lei de Diretrizes Orçamentárias – que define as bases do Orçamento do Estado para o próximo ano. Governo do Estado e Assembleia Legislativa (ALPB) entraram em conflito direto sobre quem tem a palavra final na sanção do texto, qual versão da LDO está valendo e principalmente: quanto dinheiro os deputados terão direito a controlar via emendas impositivas.
Na quarta-feira (5), o Supremo Tribunal Federal – por pauta do presidente Edson Fachin – vai julgar o mérito da ação e decidir qual texto da LDO é válido juridicamente.
O QUE CAUSOU O CONFLITO?
O impasse começou com a contagem do prazo para veto.
– O governador João Azevêdo alegou que o recesso da Assembleia suspendeu o prazo.
– A Assembleia alegou que o prazo correu normal, o governador perdeu o prazo e portanto houve sanção automática.
Resultado: existem hoje duas versões diferentes da LDO 2026 publicadas oficialmente.
1. a versão do Governo – com vetos
2. a versão da ALPB – sem vetos
O QUE ESTÁ EM DISPUTA?
Os três pontos centrais em que o Governo vetou:
1. aumento das emendas impositivas de 0,9% para 1,5% da Receita Corrente Líquida
2. obrigação de pagamento dessas emendas até 15 de maio de 2026
3. criação de índice automático de reajuste do orçamento dos outros Poderes
O Governo diz que:
• a Assembleia não pode criar despesa obrigatória sem indicar a receita
• a ALPB invadiu competência exclusiva do Executivo
• isso desequilibra o planejamento fiscal
A ALPB diz que:
• o Executivo perdeu o prazo
• o texto sem vetos virou lei por sanção tácita
• o aumento das emendas fortalece o Legislativo e a execução descentralizada
O TEMA MAIS SENSÍVEL: O DINHEIRO DAS EMENDAS
Hoje → 0,9% da RCL = cerca de R$ 182 milhões
ALPB quer → 1,5% da RCL = cerca de R$ 283,9 milhões
Diferença aproximada: + R$ 100 milhões obrigatórios
Metade (por regra constitucional) obrigatoriamente vai para Saúde.
Isso aumenta o poder político dos deputados sobre recursos — e reduz a margem de manobra do Executivo para investir em obras estruturantes do Governo.
O STF JÁ FEZ ALGUMA COISA?
Sim. Fachin concedeu liminar suspendendo os trechos mais polêmicos – inclusive o aumento das emendas.
Mas é provisório.
O julgamento final entra na pauta de quarta-feira, 5 de novembro.
Lá o Plenário do STF vai decidir:
• se houve perda de prazo do veto
e principalmente
• qual dos dois textos sancionados é válido
Esse julgamento define o tamanho das emendas e o limite de atuação de cada Poder no orçamento de 2026.
O QUE ESTÁ EM JOGO
Muito mais que um texto técnico da LDO, está em disputa o controle político sobre o Orçamento.
• Legislativo quer ampliar percentual de emendas e poder de barganha territorial
• Executivo quer manter o núcleo do planejamento fiscal sob seu comando
O julgamento do STF vai dizer quem tem razão – e qual será o tamanho do cofre de cada lado em 2026.