João Pessoa, sábado, 5 de setembro de 2026
Tudo o que você precisa saber sobre a proposta de paz dos Estados Unidos para Gaza
05/10/2025 06:04
Redação do Jornal de Brasília Reprodução

A reconciliação entre Israel e o Hamas vive um momento de tensão e expectativa. Após um ano de guerra devastadora na Faixa de Gaza, os Estados Unidos apresentaram uma proposta ambiciosa que promete encerrar as hostilidades, libertar reféns e iniciar um processo de reconstrução sob supervisão internacional. Entenda, abaixo, os principais pontos do plano e as reações de cada lado.

O contexto do conflito

Desde outubro de 2023, a Faixa de Gaza tem sido palco de uma guerra intensa entre Israel e o grupo Hamas. O confronto começou após ataques coordenados que resultaram em centenas de mortos e dezenas de reféns israelenses levados para Gaza. Desde então, Israel manteve bombardeios constantes e uma ofensiva terrestre, que deixou milhares de civis palestinos mortos e cidades inteiras em ruínas.

Diversas tentativas de cessar-fogo foram conduzidas por mediadores internacionais, mas nenhuma prosperou até agora. Diante do impasse, os Estados Unidos decidiram apresentar uma proposta de paz detalhada, em 20 pontos, com apoio de países como Catar e Egito.

O que diz o plano de paz dos EUA

O chamado “Plano Trump” — nome dado porque o ex-presidente Donald Trump voltou à Casa Branca e liderou pessoalmente a mediação — traz um conjunto de medidas voltadas para a interrupção imediata da guerra e a criação de uma autoridade temporária em Gaza.

Os principais pontos são os seguintes:

  1. Cessar-fogo imediato: se aceito por ambas as partes, todas as operações militares de Israel cessariam no mesmo dia, com verificação internacional.
  2. Libertação dos reféns: o Hamas teria 72 horas, após o aceite formal de Israel, para libertar todos os reféns — vivos ou mortos. Estima-se que 47 israelenses ainda estejam em Gaza, sendo que 25 provavelmente já estão mortos.
  3. Troca de prisioneiros: em troca, Israel libertaria 250 condenados à prisão perpétua e outros 1.700 palestinos detidos após os ataques de outubro de 2023, incluindo mulheres e crianças.
  4. Retirada gradual de Israel de Gaza: o exército israelense deixaria o território por etapas, acompanhadas de monitoramento internacional.
  5. Nova governança: Gaza passaria a ser administrada por um comitê palestino tecnocrático e apolítico, supervisionado por um “Conselho da Paz” presidido por Donald Trump e composto por representantes dos EUA, Egito, Catar e União Europeia.
  6. Reconstrução e desradicalização: o plano prevê um programa massivo de reconstrução financiado por potências internacionais e a eliminação da infraestrutura militar do Hamas. Membros do grupo poderiam receber anistia caso entreguem as armas e aceitem conviver pacificamente com Israel.

A resposta do Hamas

O Hamas reagiu de forma parcialmente positiva, mas impôs condições. O grupo aceitou libertar todos os reféns e entregar o poder em Gaza a uma autoridade palestina independente, reconhecendo o Conselho da Paz como mediador.

Por outro lado, a liderança do Hamas pediu a reabertura de negociações sobre pontos considerados sensíveis. O principal deles é o desarmamento, que o grupo não aceita realizar antes do que chama de “fim da ocupação israelense”. Também deixou claro que não admitirá deslocamento forçado de palestinos e quer garantias de que Gaza continuará sendo território palestino.

Apesar das ressalvas, a aceitação parcial do Hamas foi vista por mediadores como o avanço mais significativo desde o início da guerra.

A posição de Israel

Do lado israelense, a proposta foi recebida com otimismo cauteloso. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou esperar anunciar em breve a libertação dos reféns e confirmou que seu gabinete já trabalha na implementação imediata da primeira fase do acordo — o cessar-fogo e a troca de prisioneiros.

Mas há forte resistência interna. Ministros da ala ultradireitista do governo rejeitam a ideia de interromper os bombardeios antes da destruição total do Hamas. Alguns também criticam a criação de um conselho internacional em Gaza e veem o plano como uma concessão inaceitável.

Mesmo sob pressão dos Estados Unidos, Israel manteve ataques pontuais a Gaza nos últimos dias, embora em menor intensidade. Netanyahu também reafirmou que continua contrário à criação de um Estado palestino e que qualquer retirada total de suas tropas dependerá de garantias de segurança.

Próximos passos e desafios

Apesar do otimismo, o caminho até a paz ainda é incerto. O Hamas enviou uma delegação ao Cairo para negociar os pontos mais polêmicos, principalmente o desarmamento e a composição do Conselho da Paz. Trump estabeleceu um prazo até domingo para que o grupo dê uma resposta definitiva, advertindo que “não tolerará demora”.

Entre os principais desafios estão:

  • Garantir o cessar-fogo efetivo para permitir a troca de reféns.
  • Evitar sabotagens internas nos dois lados.
  • Assegurar a reconstrução de Gaza com transparência.
  • Convencer a comunidade internacional a financiar o plano sem impor agendas políticas.

Se o acordo for implementado integralmente, abrirá espaço para uma nova fase de estabilidade no Oriente Médio — mas, se fracassar, pode reacender o conflito em escala ainda maior.

Um momento decisivo — e frágil

Pela primeira vez em anos, há sinais reais de avanço diplomático entre Israel e o Hamas. O Hamas aceitou publicamente discutir termos de paz mediado pelos EUA, e Israel admitiu interromper ataques. Países árabes, como Egito e Jordânia, elogiaram a proposta.

Mas o cenário ainda é frágil. Dentro de Israel, a pressão de grupos extremistas é enorme. E dentro de Gaza, parte da população teme que a presença internacional se torne uma nova forma de controle.

Mesmo assim, a comunidade internacional vê no plano norte-americano a melhor chance, em muito tempo, de interromper o ciclo de destruição que castiga israelenses e palestinos desde 2023.

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