Donald Trump resolveu colocar ordem em Washington D.C. à sua maneira. O presidente dos Estados Unidos anunciou que vai intervir no departamento de polícia local, enviar a Guarda Nacional e endurecer as regras para lidar com manifestações e vandalismo. Entre as medidas, destacou-se a joia da coroa: prisão de 10 anos, sem liberdade condicional, para quem ousar “tocar ou mesmo pensar” em destruir uma estátua ou monumento na capital americana.
Trump disse ter encontrado uma lei “muito antiga” que garante esse rigor. “Hoje temos fiança sem dinheiro, mas naquela época era diferente: 10 anos de prisão, sem redução de pena, 10 anos mesmo”, enfatizou.
A fala imediatamente desperta um exercício de imaginação: e se o ex-presidente americano fosse o juiz das depredações cometidas no Brasil no dia 8 de janeiro de 2023? Aqui, os “patriotas” não se limitaram a danificar três estátuas. Eles atacaram, simultaneamente, as sedes dos Três Poderes, destruíram obras de arte, quebraram vidraças históricas e transformaram o coração institucional do país em cenário de guerra.
Pelas regras trumpistas, qualquer um que tenha encostado numa escultura no Supremo, no Congresso ou no Palácio do Planalto já sairia com uma sentença de 10 anos nas costas. E isso só pelo ato de depredar um monumento. Some-se à conta os demais “pequenos detalhes” — invasão, destruição de patrimônio público, tentativa de golpe — e talvez nem 30 anos de Alexandre de Moraes fossem suficientes para competir com o “rigor” do republicano.

